quarta-feira, 26 de maio de 2010

CONFISSÃO

CONFISSÃO
De: Ysolda Cabral



Pelo meu sorriso
Mesmo em momentos tristes
Dou Graças

Pela falta de vaidade, de ambição
De curiosidade e de quietação
Características por vezes inapropriadas
Dou Graças dobradas

Pela minha dispersão
Pela minha falta de espírito competitivo
Pela minha revoltada acomodação
Pela covardia de não saber dizer não
Dou Graças e não peço perdão


Pelo amor que me move
E que me tira da inércia, da depressão
Da infinita saudade de coisas
Que nem sei bem quais são
Dou Graça, pela falta de esclarecimento
E pela incompreensão


Pela minha poesia
Que me leva por caminhos
Por vezes belos e por vezes não
Dou Graças pedindo comiseração.

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Publicado no Recanto das Letras em 26/05/2010

Código do texto: T2281795

terça-feira, 25 de maio de 2010

PREMIO RECEBIDO




Queridos amigos,


A minha poesia teve a honra de ser homenageada pelo blog “Atitudes e Idéias”, da amiga e poetisa Adriana Leal. A bela “vitrine” virtual exibiu, ao longo de toda a semana passada, várias poesias de minha autoria. Hoje tive a honra de receber o troféu (acima) o qual, faço questão de dividir com todos vocês.

O link do blog “Atitudes e Idéias” é:
http://kateleal10.blogspot.com/

Abraços,

Ysolda Cabral

quarta-feira, 19 de maio de 2010

BRIGADEIRO E PICADEIRO



BRIGADEIRO E PICADEIRO
De: Ysolda Cabral


Hoje minha tristeza é imensa
Aí não sei se falo que a estou levando
De forma calada ou caladinha

Se digo calada
Pareço uma pessoa forte e destemida
Se digo caladinha
Pareço boba e muito frágil

Como em nenhuma das hipóteses me encaixo
Acho que sou mesmo um ser não identificado

E o que faço?

Escrevo o que me vem na “telha”
Chorando que nem "bezerro desmamado"
Pensando que seria melhor ser abelha

Então recorro ao brigadeiro
E logo depois do intervalo
Volto com tudo ao “ Picadeiro”
Sem esperar aplauso...

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Publicado no Recanto das Letras em 19/05/2010
Código do texto: T2266391

ROXO BONITO ( CORES EM SÉRIE Nº 006)


( Por solicitação da poetisa e amiga Flávia Angelini )


ROXO BONITO
De: Ysolda Cabral


Roxo bonito pra mim,
É a história de sua criação
A qual vou contar
Pedindo sua atenção

Deus maravilhado
Com o amarelo da acácia
E do azul anil do Céu
Pensou:

Se eu juntar essas duas cores
Uma mais bela nascerá
E por experiência Ele juntou

Foi assim que a nova cor surgiu
E de tão bela causou grande alvoroço
Entre as flores da floresta

A orquídea, se antecipando a violeta,
Mais que depressa pediu ao Criador
Que a vestisse também dela

Ele a vestiu e decidiu
Que a partir de então
Esta flor, de beleza sem igual,
Seria símbolo do Amor Celestial.

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Publicado no Recanto das Letras em 17/05/2010
Código do texto: T2263474


domingo, 16 de maio de 2010

PRETO BONITO (CORES EM SÉRIE Nº 005)



PRETO BONITO
De: Ysolda Cabral


Preto bonito pra mim
É o preto da noite escura
Tela de todas as estrelas

Preto bonito pra mim
É o preto daquele vestido
Que me deixou mais esguia
Naquele lindo dia

Preto bonito pra mim
É o preto dos teus cabelos
Onde o branco do grisalho
Parece gotas de orvalho

Preto bonito pra mim
É o preto do teu olhar
Brilhando de alegria
Ao me ver chegar

Preto bonito pra mim
É o preto daquela tela
Que pintasses pra mim
E que eu disse não gostar.


**********

Caros amigos,


Com o texto acima encerro, por enquanto, o " desafio" de escrever sobre as cores, o qual me foi proposto pela querida amiga e colega de trabalho Tê Lima. Esperando não tê-la decepcionado, aproveito para registar que, por conta do período de provas que se aproxima, estarei ausente por um tempo, daqui e do Recanto das Letras. Se for possível, estarei matando a saudade de vocês, aos sábados, dia que mais gosto.


Um abraço pernambucano,


Ysolda Cabral

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Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2010
Código do texto: T2260151

AZUL BONITO

AZUL BONITO
De: Ysolda Cabral


Azul bonito pra mim
É o azul que manda a tristeza embora
Que nos convida ao banho de mar
E em suas ondas nos faz valsar

Azul bonito pra mim
É o azul daquela linda borboleta,
Que descansa na folha da hortelã
Quase todo dia em minha jardineira

Azul bonito pra mim
É o azul do Céu... Do Céu Azul...
Azul mesmo de encantar
Onde as nuvens gostam de brincar
Desenhando lindas imagens
Só pra nos fazer sorrir e sonhar

Azul bonito pra mim
É o azul diáfano da tua alma
Que sempre me ajuda
Quando me sinto só e muito agoniada
*****
Publicado no Recanto das Letras em 16/05/2010
Código do texto: T2260076

sábado, 15 de maio de 2010

VERMELHO BONITO

(CORES EM SÉRIE Nº 003)


VERMELHO BONITO

De: Ysolda Cabral


Vermelho bonito pra mim
É o vermelho do batom
Que disfarça a pele pálida
Na emoção do primeiro olhar

Vermelho bonito pra mim
É o vermelho daquela rosa
Tão linda que me destes...

E com raiva joguei fora
Quando foste embora
Pra nunca mais voltar

Vermelho bonito pra mim
É o vermelho do morango
Envolto de chocolate
Que gostaria de te dar.

Vermelho bonito pra mim
É o vermelho que corre em minhas veias
Fazendo meu coração acelerar
Quando sonho em lhe encontrar

*****


Publicado no Recanto das Letras em 15/05/2010

Código do texto: T2259482


quinta-feira, 13 de maio de 2010

AMARELO BONITO

( CORES EM SÉRIE - Nº 002 )


AMARELO BONITO
De: Ysolda Cabral


Amarelo bonito pra mim
É o amarelo do pintasilgo
Que canta em minha sacada
Quase toda madrugada

Amarelo bonito pra mim
É o amarelo da acácia, da flor de cactos
Que sempre vejo quando passo
No trajeto de casa pro trabalho

Amarelo bonito pra mim
É o amarelo do meu jarro
Que ornamenta e minha mesa
Com harmoniosa graça

Amarelo bonito pra mim
É o amarelo do quindim
Sedutor e convidativo
Convite que não resisto

Amarelo bonito pra mim
É o amarelo dos campos de trigo
Que só vejo na forma virtual
E por isso fico triste

Amarelo bonito pra mim
É o amarelo do Sol e da Lua
Que em dias nítidos e cálidos
Nas nuvens do CéuRetratam a tua cara.

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Publicado no Recanto das Letras em 13/05/2010
Código do texto: T2254684

segunda-feira, 10 de maio de 2010

COMO FOI O MEU DIAS DAS MÃES


COMO FOI O MEU DIA DAS MÃES
- A pedidos –



Na realidade meu dia começou no sábado, quando minha filha – a mais feia filha que uma mãe poderia ter, pediu o cartão de minha conta corrente, meu carro emprestado e foi comprar o meu presente.

Ontem, ela acordou relativamente cedo e mais que depressa foi me dar o presente que eu tinha comprado para mim, e, naturalmente, um beijo caprichado do dia das mães anunciando que, o dia era meu e que ela iria fazer tudo o que eu quisesse.

Fiquei super animada e quando ia abrindo a boca para sugerir alguma coisa, ela olhou para mim e falou: “mamãe se arrume depressa e vamos almoçar no Shopping”.

Ao chegarmos lá, logo percebi que meio mundo de filhos haviam tido a mesma idéia. Era tanta mãe, mais tanta mãe que batíamos umas nas outras. Todas com cara boba de felicidade.

Yauanna mais que depressa me levou para o restaurante da escolha dela, chamou o garçom, fez o pedido e anunciou que, logo após o almoço, iríamos ao cinema, na sessão das 14h: 40m. Inclusive, já havia comprado as entradas. Evidentemente, com o meu cartão, o qual já estava em seu poder desde o sábado.

Devo confessar que eu estava realmente adorando fazer tudo o que EU queria. (Rsrs)

Logo após a sobremesa, a preferida dela, fomos ao cinema. Quando nos sentamos foi que me lembrei de perguntar que filme assistiria e ela então me comunicou que era um filme brasileiro, intitulado “As Melhores Coisas do Mundo”, e, que no elenco estava o filho do Fábio Júnior.

Diante desse improviso, pensei: se pelo menos fosse o Fábio... !!!! (Rsrs)

O engraçado é que o filme me surpreendeu pelo seu enredo atual, polêmico, e educativo. Sai de lá com vontade de assisti-lo novamente. Ponto pra ela.

Bom, agora era minha vez e disse-lhe que iríamos pra casa da minha irmã, dar os parabéns ao meu sobrinho que estava aniversariando.

Ela mais que depressa disse: mamãe, preciso ainda fazer umas comprinhas rápidas. Como está nosso saldo? (Rsrs) – Lá fomos nós.

Bem depois, chegamos à casa de minha irmã quando, finalmente, fiz o que quis. “Detonei” no bolo de chocolate. (Rsrs)
*****
Publicado no Recanto das Letras em 10/05/2010
Código do texto: T2248529

domingo, 9 de maio de 2010

À MAIS LINDA ESTRELA DO CÉU

À MAIS LINDA ESTRELA DO CÉU
De: Ysolda Cabral


Ser mãe é se enternecer com qualquer coisa, até as mais tolas;
Ser mãe é passar a noite sem dormir, dando mama a uma criança,
Sem nenhum receio do peito perder a beleza;
Ser mãe é trocar fralda, mil vezes se preciso for, sem reclamar;
Ser mãe é estar atenta para quando o filho cair,
Ajudá-lo a levantar, cuidando de suas feridas até sarar;
Ser mãe é contar histórias, cantar as mesmas canções,

Milhões de vezes, até o filho dormir,

Quando então ela suspira de alívio, não dorme de remorso

E aguarda ansiosa o filho acordar;
Ser mãe é compreender as dores do filho, seus arroubos,

Suas cabeçadas, sabendo o repreender e conversar na hora exata;
Ser mãe é ter forças pra dizer não, quando o coração

Não escuta a razão e quer dizer sim;
Ser mãe é perdoar e é amar seu filho,

Independente dos obstáculos que a vida lhe obrigar.
Mas, o fato de ser mãe, uma mãe inteira, completa e verdadeira,

Na mais pura e sublime expressão da palavra,

Não impede de você sentir uma infinita tristeza por já não tê-la.


*****


Feliz Dia Das Mães no Céu e na Terra!


Publicado no Recanto das Letras em 09/05/2010
Código do texto: T2246229

sexta-feira, 7 de maio de 2010

BRANCO BONITO

BRANCO BONITO
De: Ysolda Cabral


A música é bonita, mas não impressiona.
Escuto apenas pra fugir de conversas tolas e vazias.

O dia está lindo e eu estou de bem com a vida,
Apesar da noite ter sido de pesadelos terríveis,
Contudo o amanhecer chegou pra me deixar livre.

Assim a vida continua ... E hoje é sexta-feira!
Dia que a maioria veste branco,
Até por brincadeira.

Quanto a mim?! - Só por coincidência.
Jamais de outra maneira.

Branco bonito pra mim;
Está nas nuvens do Céu, de um dia azul anil.
E, o de hoje está assim...
Lembra até um dia de primavera,
De quando ainda era menina na minha terra.

Branco bonito pra mim,
Está na alma da criança;
Na gaivota que voa alto e graciosa,
Por sobre terras e mares... Despretensiosa...

Branco bonito pra mim,
Está no esquecimento dos desencantos.

Branco bonito pra mim,
De verdade, mesmo, mesmo...
Está no sorriso de minha filha
– Que sorriso mais bonito!

Branco bonito pra mim,
Está no coração dos que amam.
Pois o amor é o começo, o meio e o fim.
E se existir outro, por favor, me conte.


*****


Publicado no Recanto das Letras em 07/05/2010

Código do texto: T2242630

quarta-feira, 5 de maio de 2010

SERÁ QUE MÃE É A QUE PARI...

SERÁ QUE MÃE É A QUE PARI...
De: Ysolda Cabral




Já havia decidido que não queria mais saber de nenhuma notícia, exceto as relativas aos meus familiares e amigos as quais sempre vêem através de e-mails, telefonemas e visitas.

Mas não há jeito! O hábito de tomar coca zero matinal, em frente à TV, me leva a deparar com notícias que só trazem preocupação, indignação, insegurança, descrença e muito desencanto.

É guerra; é terrorismo; é violência em todos os lugares e de todas as espécies. Vulcão em erupção; terremotos; gente morta pra todo lado. Pedofilia; prostituição infantil; tráfico de drogas, de órgãos, de gente, de animais, de influências... Olhe, sei não... O mundo está mesmo de ponta-cabeça.

Ah, que hábito mais desgraçado!!!! E não é que, as notícias sempre me acertam!!!

Pois bem; hoje, mal liguei a danada da TV e já dei de cara com duas mães, as quais eram o retrato da dor.

Imediatamente, a mesma dor me atingiu. Soube que, há um ano, elas tiveram seus filhos trocados numa maternidade de Goiás. É brincadeira?!!!

Uma delas, além de ficar com um filho que não era seu, foi abandonada pelo marido por ele achar que ela o havia traído, pois à medida que o garoto crescia em nada se lhe assemelhava.

Contudo, essa mãe - essa mulher guerreira - tocou a vida. E, durante um ano foi uma mãe dedicada. Até que, alguma coisa a levou a fazer o exame de DNA e descobrir o ocorrido.

Esta semana a justiça determinou que as crianças fossem destrocadas.

- Está certo. Mas, será que está mesmo?

Será que a vida que, essas famílias tiveram durante todo esse tempo e o amor de mães e filhos podem ser destrocados?

Fico a me perguntar se a mãe é mesmo àquela que pari ou àquela que cria...

Por esta razão, e, aproveitando que, domingo é o “Dias das Mães”, quero desta forma registrar minha mais completa e mais sincera solidariedade a essas duas valentes mulheres.

Desejo ainda que todas, com verdadeiro sentimento maternal, tenham um dia da mais completa felicidade junto aos seus filhos. Independente de serem mães biológicas ou não.

Tomara que fatos desta natureza não mais se repitam. À todas nós, um Feliz Dia das Mães, SEMPRE.

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Publicado no Recanto das Letras em 05/05/2010

código do texto: T223815

segunda-feira, 3 de maio de 2010

DORMI OU VOLTEI NO TEMPO?



DORMI OU VOLTEI NO TEMPO?
De: Ysolda Cabral




Eu dormia dentro do meu sonho. Vez ou outra acordava e tentava colocar minha filha no bercinho. Só que, quando eu colocava; ela chorava e eu tinha que voltar pra minha cama e me deitar com ela sobre a minha barriga.

Cantando baixinho uma canção de ninar, caiamos as duas no sono. Aí eu acordava e a levava outra vez para o berço e lá, ela acordava e tudo recomeçava. Passamos a noite assim, numa peleja medonha. Amanheci simplesmente moída, afinal havia passado a noite acordada enquanto dormia.

Estava tão desnorteada que, quando acordei, hoje pela manhã, pensei; agora posso dormir, pois finalmente Yauanna aquietou-se.

Que coisa estranha é uma noite assim!

Será que no meu sono eu dormia com minha filha no colo, ou será que voltei, aproximadamente, dezoito anos no tempo?

Há tantos mistérios que envolvem a vida que, por vezes, perdemos a noção da realidade.

Tomara que hoje a noite seja calma.

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Publicado no Recanto das Letras em 03/05/2010
Código do texto: T2235728

domingo, 2 de maio de 2010

"EXCLUDENTE DE ILICITUDE "



“EXCLUDENTE DE ILICITUDE”
De: Ysolda Cabral



Começo a entender o Direito Penal.
Exemplo: parar de estudar a disciplina,
Ir ao Recanto das Letras,
Para ler bons poemas...

É um “estado de necessidade.”
Logo, excludente de ilicitude.

Lendo maravilhosos trabalhos,
Sem tempo de comentá-los,
Sendo ré confessa...

Sou passiva de pena reduzida.

Portanto, caros jurados,
Digo; poetas, cronistas,
Escritores diversos, leitores-amigos;
Peço absolvição deste delito.

Ou rogo por pena leve,
Prometendo reparação,
Dentro em breve.

Afinal, hoje é domingo,
O dia está lindo,
E eu estou alegre.

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Publicado no Recanto das Letras em 02/05/2010
Código do texto: T2232208

sábado, 1 de maio de 2010

SEM PENA E SEM DÓ

SEM PENA E SEM DÓ
De: Ysolda Cabral


Ficando triste não sonho,
E, quando a tristeza é bem grande,
Nem pesadelo eu tenho,
Já que não durmo direito há anos.

Faço direitinho o costumas;
Trabalho, estudo, rego as plantas,
Sem me sentir cansada ou tonta.
Afinal, estou triste e não incapaz.

Entretanto, mesmo sem graça,
Encaro o espelho por pura pirraça.

Sorriso irônico e contrafeito;
Olhando pra minha cara,
Vejo ela me dizer sem rodeios:
Oh, menina, deixa de asneira!!

E continua:
A noite está tão linda,
Vai dar uma volta!
Deixa pra lá a tristeza,
E toda esta revolta.

Toca a Vida em tom maior;
Tira das veias a tua essência mais feia,
A malfadada besteira.

- O resto?!
Deixa com Ela...
Sem pena e sem dó.



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Publicado no Recanto das Letras em 01/05/2010

Código do texto: T2231364

terça-feira, 27 de abril de 2010

HISTÓRIA MAL ASSOMBRADA

HISTÓRIA MAL ASSOMBRADA
De: Ysolda Cabral



Tocha, segundo o dicionário: “1. Vela grossa e grande de cera; brandão; facho; círio. 2. Fig. Luz, brilho.” Segundo a crendice popular, lá pelas “matas da minha terra” no meu tempo de menina, significava alma penada, a qual em noite escura aparecia para assombrar quem encontrasse pela frente.

Minha tia Maria José, a melhor tia que uma sobrinha poderia ter na vida, gostava de levar a mim e a minha irmã mais velha Yara, para passarmos os finais de semana no Sítio do pai dela, nosso avô materno Zuza. Gostávamos de ir mesmo sendo vovô um homem muito autoritário, exigente, mas adorava ler pra gente, ( em Cordel ) “histórias de trancoso” (Carochinha) como “O Pavão Misterioso”,e, só por esta razão, se tornava menos desagradável.

O sítio era lindo, tipo brejo; com casa de farinha, açude, cavalos, uma casa grande e muito agradável. Flores, frutos dos mais variados; um clima gostoso e muito saudável. Durante o dia era uma farra só. Banhos de açude, “escaladas” nos pés de Jabuticaba, Laranja, Manga, Goiaba...

Quando chovia, tia Maria José nos ensinava a fazer casinhas de areia, aproveitando a terra molhada. Colocávamos a areia em cima de um dos nossos pés e socávamos bem. Depois retirávamos o pé, bem devagarzinho pra casinha não cair, e, lá estava ela, linda! Parecia uma oca indígena. Em sua entrada, fazíamos uma estradinha com flores silvestres.

Nos finais de tarde íamos perturbar vovô na casa de farinha, para lanchar beiju, feito por baixo da farinha da mandioca e pé-de-moleque assado na folha da bananeira, no forno da casa de farinha. – Nossa, era uma delícia!

À noite; bem à noite...

Não havia eletricidade e ficávamos a luz de candeeiros. Logo após o jantar, nos reuníamos no terraço da casa grande para ouvir as histórias que vovô lia. Quando ele cansava, meu tio José se encarregava de contar as suas. Todas mal assombradas, que ele inventava, as quais nos deixavam sempre de cabelo em pé e querendo dormir na cama de minha tia.

Certa noite ele contou a história de uma alma penada que se transformava em grande tocha e vivia pelas redondezas assombrando os moradores do local.

Para afugentar o medo, começamos a zombar dele.

De repente, bem à nossa frente e do nada, uma enorme bola de fogo apareceu e foi se aproximando, se aproximando e se aproximando...

Um vento frio e esquisito apagou os candeeiros e o pessoal gritando se levantou apavorado. Todos queriam entrar na casa ao mesmo tempo. Uma verdadeira loucura!

E, se não fosse a minha tia nos proteger com seu próprio corpo, acho que teríamos sido esmagadas.

Nunca esqueci este episódio real e verdadeiro, posso assegurar. E, quem estava lá também pode.

Até hoje me pergunto o que teria sido àquilo.


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Publicado no Recanto das Letras em 27/04/2010

Código do texto: T2222727

segunda-feira, 26 de abril de 2010

INDIFERENÇA

INDIFERENÇA
De: Ysolda Cabral


Tudo amanheceu claro,
O ar ameno e descansado,
As árvores bem verdinhas,
Tudo parecendo renovado.

O orvalho sobre as plantas,
Ilumina a redondeza,
Limpa a minha alma,
De todas as asneiras.

A noite me pareceu boa,
Sem sonho e sem pesadelo.
Dormi e hoje acordei;
Apenas...

Mais um dia se inicia,
- estou pronta –
Nada vou esperar,
Não adianta...!

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Publicado no Recanto das Letras em 26/04/2010
Código do texto: T2220230

domingo, 25 de abril de 2010

A VIDA É ASSIM

A VIDA É ASSIM
De: Ysolda Cabral


No espaço estranho e vazio,
Do sentimento de perda,
Uma luz se apresenta,
Que nos faz prosseguir...

A solidão é profunda,
E no mar do abandono,
De ondas intransponíveis,
Não podemos desistir.

Continuar é preciso, me digo.
E, com parcos recursos,
Quase sem saber nadar,
Respiro fundo e continuo.

A onda gigante passa afoita,
Mas tira de mim o peso do mundo.
Agradeço, me animo, perco o medo.
E, novo horizonte vislumbro, pois...

A vida é assim.

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Publicado no Recanto das Letras em 25/04/2010
Código do texto: T2219229


AI QUE SAUDADES DE MADALENA...

AI QUE SAUDADES DE MADALENA...
De: Ysolda Cabral




Por um bom tempo “Madalena” foi minha companheira de todas as horas. Se a tristeza me abatia corria pra ela, e, juntas, botávamos o pé na estrada, sem destino e a qualquer hora. Não havia tempo ruim pra gente. Disposição pra viajar não nos faltava. O dinheiro, sempre muito curto, era o problema, mas nada de muito significativo. Éramos econômicas, harmônicas e sem pressa alguma. Aqui e acolá parávamos para renovar as “baterias” e seguíamos viagem.

Nunca tivemos atropelo algum. Nosso “casamento” era perfeito. Até que resolvi trocar “Madalena” por um “Príncipe Encantado”, bonitinho e ordinário. Toda manhã não queria sair de casa, de jeito algum, e, nas manhãs de inverno, o inferno era maior. Eu fazia de tudo pra ele querer sair e nada. Quando cismava, cismava mesmo. A confusão era tanta que terminávamos por acordar toda a vizinhança.

Nossa “convivência” foi ficando cada vez mais desastrosa difícil de ser apaziguada e eu resolvi me separar dele definitivamente. Porém, como ele, além de tudo era alcoólatra, essa separação não seria nada fácil. Depois de muito pelejar, uma amiga psicóloga resolveu investir naquela relação e o tirou de mim. – Que alívio!!!

Resolvido o problema logo arranjei um novo companheiro, e, mais outro e mais outro, até que cheguei num bem novinho e disposto, mas quem já não tinha mais tanta disposição era eu.

Quanto a minha querida e adorada “Madalena” deve ter ido parar nas mãos dos “Mamonas Assassinas”, se tornou amarela e depois do lamentável ocorrido, nunca mais tive notícias dela.

Ai que saudades de “Madalena”! (Rsrs)


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Publicado no Recanto das Letras em 23/04/2010
Código do texto: T2214998

MEU ANIVERSÁRIO

MEU ANIVERSÁRIO
De: Ysolda Cabral


Acordei cedinho, cedinho
Com o canto dos passarinhos
Cantando parabéns para mim
Me dei um alegre bom dia

Dia que amanheceu lindo
Ensolarado com Céu Azul e Branco
Bem misturado, contornado de fios dourados
Dos belos Raios do Sol recém acordados

Fiz a minha oração matinal
Me levantei disposta e feliz
E fui acordar a minha filha
- o meu presente de Deus –

Antes, minha hortelã me olhou
- ando tão esquecida dela! –
E mesmo de cara feia
Deixou-me sentir seu cheirinho
Agradeci e fui embora sorrindo

No quarto de minha filha
Sentindo o seu perfume de botão de rosa
Misturado com cheiro da terra molhada,
- pura essência da minha existência -
Compreendi que, desta Vida,
Tenho tudo e não preciso de nada.
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Publicado no Recanto das Letras em 22/04/2010
Código do texto: T2212159

terça-feira, 20 de abril de 2010

O REPOUSO DA GARÇA

O REPOUSO DA GARÇA


No lago de águas plácidas
Esverdeadas pela mata
A Garça, apenas pousada,
Na noite clara de luar
Repousa...

No espelho d’agua
O seu "retrato" lhe faz companhia
Na solidão da noite fria

E no repouso tranqüilo
Adormece a branca Garça
Indiferente a chegada de novo dia.


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Publicado no Recanto das Letras em 20/04/2010

Código do texto: T2208906

segunda-feira, 19 de abril de 2010

NO MUNDO DA MÚSICA

NO MUNDO DA MÚSICA
De: Ysolda Cabral


A música me arrebata
Me leva por caminhos
Floridos, coloridos, perfumados
Que acalmam a minha alma

Com a música me perco
Num mundo de sons magníficos
E é nele que encontro comigo

Sem muito pensar
Me permito apenas sentir
E vou me deixando existir
De maneira simples assim

Gosto disso, gosto mesmo
Pois novas metas eu traço
E de lá trago para cumprir aqui.


*****

Publicado no Recanto das Letras em 19/04/2010
Código do texto: T2207009

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"PALHAÇO DO MAL EM FESTAS INFANTIS"

"PALHAÇO DO MAL EM FESTAS INFANTIS”
De: Ysolda Cabral




Cartas ameaçadoras, assinadas pelo “Palhaço do Mal”, bem como telefonemas anônimos, perseguições e muito terror, é o que vem sendo utilizado por pais suíços nos preparativos das festas de aniversários de seus filhos.

Acabei de escutar esta notícia numa rádio local. Informava ainda o locutor que, isso ocorre pelo menos duas semanas antes do aniversário da criança. O ponto alto deste “modismo” acontece no dia da festa com a chegada do respectivo palhaço, o qual dá de parabéns ao aniversariante uma torta bem no meio da cara.

Medo, terror, violência e agressão são requisitos para o sucesso de uma festa infantil?! Aonde vamos parar?!

Que mundo é esse afinal?!

Como se não bastasse os vídeos games, os desenhos assombrados, digo, animados, o computador... Agora uma coisa dessas?!

Não quero nem pensar como será essa criança quando crescer.

Será que isso já chegou por aqui?!

E, como diz o meu colega Cláudio Willams; “Valei-me!”

*****

Publicado no Recanto das Letras em 16/04/2010
Código do texto: T2200376

quarta-feira, 14 de abril de 2010

SE A MODA PEGA


SE A MODA PEGA
De: Ysolda Cabral



Não sou, em nenhuma hipótese, modelo de boas maneiras e/ou educação. Entretanto, no básico sou craque. É impressionante como a maioria das pessoas está esquecida das regras mais simples da boa educação. Aquelas que a gente aprende em casa com os nossos pais.

Consideração e respeito quase ninguém mais sabe o que é! Os que sabem são ridicularizados, tidos como ultrapassados e classificados de “persona non grata”. A cordialidade e a gentileza, quando existem, há outras razões por trás. As pessoas não se dão bom dia, não usam ”por favor,” “muito obrigado”; não esperam o outro calar pra falarem, e, quando falam, falam de boca cheia, alto demais e sempre querem ter razão. Sorriem as gargalhadas e por aí vai.

Outro dia estava conjecturando sobre essa nova realidade dos tempos modernos e me recomendando cuidado para essa “moda” não me pegar – por que coisa ruim pega e pega fácil – quando uma amiga que, enquanto fazia um lanche, falava sem parar. Comia, falava, bebia o refrigerante, falava e sobrava sanduíche e refrigerante pra todos os lados. – Um horror! Aquilo me deu uma aflição que não me contive – nunca me contenho – e pedi que ela engolisse primeiro para depois falar.

- E l a n ã o g o s t o u!!

A partir de então ficou me olhando atravessado. Quanto a mim, passei a observá-la melhor. Normalmente não sou boa observadora, entretanto, quando me proponho a observar alguma coisa, observo pra valer.

Foi aí que descobri que, além de falar de boca cheia, de não dar bom dia, e outras coisinhas mais, quando ela espirra faz “chover” pra tudo que é lado. Nunca tinha visto nada igual! - Que coisa!!! (Rsrs)

Não perdoei e na hora, meio de brincadeira, lhe sugeri que fosse morar no alto sertão, pois lá se precisa de muita chuva.

Ela me fulminou com o olhar e foi embora sem se despedir!!!!.

E, foi assim que ganhei uma "arquiinimiga".

Será que estou ficando com tolerância zero ou a “moda” me pegou?

Publicado no Recanto das Letras em 14/04/2010
Código do texto: T2196566

segunda-feira, 12 de abril de 2010

ONDE ESTOU

ONDE ESTOU
De: Ysolda Cabral e Cyla Dalma


Estou num lugar qualquer
Na trajetória do aleatório
Onde você não está

Longe, realmente bem longe
Um lugar que eu nem sei localizar

Estou ilhada, estou confusa
Estou em completa solidão

Deve ser outro mundo
De enigmático mistério
Sem equilíbrio no cósmico
Onde transborda minha emoção

E para ser bem sincera
Não quero você perto
Mas é em vão

Se sei lá ou se sei não
Eu não sei não
Só sei que não consigo
Arrancar você da minha alma
Nem do meu coração.

**********

Cyla,

Muito obrigada por mais uma bela parceria.

Ysolda Cabral

**********

Publicado no Recanto das Letras em 12/04/2010
Código do texto: T2193316

sábado, 10 de abril de 2010

ÁREA DE RISCO

ÁREA DE RISCO
De: Ysolda Cabral


Ela chegou também aqui,
Refrescante e muito bela...

Que sua vinda seja benéfica,
Pois, apesar de merecermos,
Deus nos livre da vingança dela.

A Natureza é assim...

Bonita, perfeita e caprichosa,
Igual a toda mulher que ama,
Também precisa ser amada.
Senão muita desgraça,
Será logo anunciada.

Portanto, fiquemos atentos,
Não nos deixemos enganar,
Com o jeitinho sereno,
Que ela acaba de chegar.

Em forma de chuva fina,
Toda coquete e inofensiva,
Apenas convidando,
Pro aconchego do lar.

Se você mora em área de risco,
Nem pense este convite aceitar.

- Saia logo daí!
Vá passear ou pra casa de amigos.
Se proteja do chuvisco,
Pois ele pode lhe matar.
*****


Publicado no Recanto das Letras em 10/04/2010
Código do texto: T2188421

sexta-feira, 9 de abril de 2010

INCÓGNITA

INCÓGNITA
De: Ysolda Cabral


Entre nuvens pesadas;
Um Corredor Azul...

Em mim;
Ainda há poesia?!

*****


Publicado no Recanto das Letras em 09/04/2010

Código do texto: T2186648

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O IMPORTANTE É AMAR



O IMPORTANTE É AMAR
De: Ysolda Cabral


Há Momentos de tristeza infinita...
Tão descabidos que pensamos morrer,
Mas logo a beleza da vida nos faz reviver.

A lembrança de um grande amor,
Vale cada lágrima derramada,
No caminho percorrido da dor,
Pela mais pura e infinita saudade.

Quanto às ciladas...
São próprias das encruzilhadas,
Não devemos subestimá-las.
Contorná-las e nos esquecer delas,
É atitude sábia e mais correta.

Água, fogo, terra e mar...
Ah! Sublimes e maravilhosos deuses.
Não há como viver sem eles,
Nem os deixar pra lá.

Palavras podem de fato nos enterrar,
Porém os nossos reais sentimentos,
Irão com a gente pra qualquer lugar.

Que importa a lágrima derramada,
Seja de tristeza ou de saudade,
Se depois sempre vem um sorriso,
Mais intenso e mais bonito?

O importante é amar.

*****

À poetisa Sarah Aline
Em interação à sua poesia
“PERSPECTIVAS E CERTEZAS”


*****


Publicado no Recanto das Letras em 02/04/2010

Código do texto: T2172746

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PÁSCOA NUMA SÓ VOZ

PÁSCOA NUMA SÓ VOZ
De: Ysolda Cabral


Que nesta Páscoa
O amor de Cristo
Em toda sua plenitude
Seja assimilado e praticado
Com muita sinceridade

Seja por crentes, descrentes
Barrigas cheias e bem vestidas
Famintos e descamisados

Que a Paz reine independente do lugar
Ou do tempo que durar
Sendo apenas por um momento
Já estará valendo

Que a dor e a maldade cessem
Que os enganos sejam esclarecidos
E as diferenças sejam amenizadas

Que a oração seja uma só
E que a consciência do presente que é a Vida
Seja compreendido, valorizado e agradecido
Por uma só voz.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 01/04/2010
Código do texto: T2171155

quarta-feira, 31 de março de 2010

"TRANSPLANTE DE BONDADE"



“TRANSPLANTE DE BONDADE”
De: Ysolda Cabral




Novamente em “Tempos de Páscoa...”

Tempo de reflexão, de se renovar a fé, a caridade cristã, a esperança... Parei diante da tela do meu computador, há pouco em branco, pensando alguma coisa proveitosa para escrever e nada me ocorria.

De repente o telefone tocou e eu atendi. Era a minha filha Yauanna que queria saber como eu estava. Falamos rápido e ao desligar o telefone, pensando no quanto ela cresceu rápido, voltei a fevereiro de 1997, quando foi noticiado ao mundo o primeiro mamífero clonado – a ovelha Dolly. Aquilo nos assustou, apesar de não ter surpreendido ninguém.

Yauanna, com seis anos na época, depois de nos fazer um monte de perguntas sobre clone, transplante e etc. e tal, saiu correndo pela casa pulando de alegria.

Ficamos estupefatos com aquela atitude e sem entender nada. Quando finalmente ela parou de comemorar, achegou-se eufórica junto de nós e contando nos dedinhos, considerou:

Duas vezes roubaram coisas de nossa casa
Na escola tem aquele menino que bate e morde todo mundo
Quando ela ia para o terceiro dedinho e, pelo jeito não ia parar tão cedo, lhe interrompi e perguntei o que aquilo tinha haver com transplante, clone, ovelha Dolly. E ela prontamente me respondeu: “ora mamãe, agora os cientistas vão descobrir um jeito de fazer transplante de bondade. Aí só existirão pessoas boas. Eba!!!!!!!”

Pois é!!

Uma Páscoa de Paz para todos, com votos de que " transplante de bondade" um dia seja possível.


*****

Publicado no Recanto das Letras em 31/03/2010
Código do texto: T2169732

domingo, 28 de março de 2010

O DIA MAIS BONITO


O DIA MAIS BONITO
De: Ysolda Cabral


No dia de domingo podemos:
Acordar tarde, comer bastante;
Andar a beira-mar ou no shopping;
Ir ao cinema, ao teatro...

Ou,

Acordar cedo, ir à missa;
Almoçar com a família;
Dormir a tarde toda;
E a noite ter uma bruta insônia.

Na segunda, amanhecer cansada,
Desnorteada e sem disposição,
Esperando que na terça,
Haja uma significativa modificação.

Então chega a terça;
E no enfado da espera,
Você se desorienta e desespera,
Diante de tanta obrigação.

Na quarta, você visivelmente cansada,
Espera que na quinta aconteça alguma coisa,
Que lhe leve cheia de alegria para um novo dia.

Finalmente outro fim de semana chega,
- Com a sexta - E você repleta de animação,
Faz uma faxina completa,
Porém com todo cuidado e atenção.

Pega o cansaço e o enfado;
A falta de perspectiva e de esperança;
A solidão e a saudade...
Faz um grande pacote,
E joga no lixo sem nenhuma consideração...

Enfim, pronta para o SÁBADO,
O dia mais bonito, mais tranqüilo,
E você repleta de esperança
Sonha e espera... E espera e sonha...

E o que acontece...?!
- O domingo pinta!
Você fica sem tela e sem tinta
E morre na praia da desilusão.

*****


Publicado no Recanto das Letras em 28/03/2010
Código do texto: T2163706

sexta-feira, 26 de março de 2010

VALENTE FORMIGUINHA



VALENTE FORMIGUINHA
De: Ysolda Cabral


Sob forte chuva,
A formiguinha anda,
Entre cimento e grama,
Na beira do canal.

Como se passeasse,
Ou fizesse Cooper,
Lá vai a formiguinha,
Na beira do canal.

A água caída do Céu escuro,
Refresca e lhe dá ânimo,
Pra continuar seu caminho,
Na beira do canal.

Sem medo de ser esmagada,
Por sapatos encharcados,
Lá se foi a formiguinha,
Entre cimento e grama,
Na beira do canal.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 26/03/2010
Código do texto: T2160068

RAÍZES NO TEMPO

RAÍZES NO TEMPO
De: Ysolda Cabral

Árvores seculares,
Raízes no Tempo...
Frutos desperdiçados,

Quantos lamentos...
Tantos ais!!!

*****

Publicado no Recanto das Letras em 25/03/2010
Código do texto: T2158789

ESTRELAS CADENTES

ESTRELAS CADENTES
De: Ysolda Cabral


No chão nove estrelas a brilhar
Em formato retangular
E não asterisco...

São apenas reflexos,
Das luzes do teto.

O poeta enxuga a lágrima,
Sem ninguém notar.

***


Publicado no Recanto das Letras em 25/03/2010
Código do texto: T2158770

VIDA "QUALQUER COISA"

VIDA “QUALQUER COISA”
De: Ysolda Cabral


Ah! O amor...

Às vezes este sentimento é tão forte que, independente de nossa vontade ele transborda e cria vontade própria. Acredito que isso é comum em qualquer pessoa que ama profundamente e que, infelizmente ou felizmente, não vive o amor em toda sua plenitude. Talvez se vivesse, fosse entendido de forma diferente. - Será que era amor de verdade, ou era apenas um amor desesperado por conta de sua impossibilidade de acontecer?

Não sei... O fato é que, os amores impossíveis sempre são os mais bonitos, mais apaixonantes, mais mágicos, mais poderosos e os mais sofridos, os quais inspiram o poeta a compor verdadeiras obras primas.

Seja inspirado em sua própria experiência, na experiência de outrem, ou simplesmente no seu “Mundo Faz de Conta”, o que importa?

A vida de qualquer pessoa sem amor, sem sonho e sem fantasia é qualquer coisa, menos vida.

Então, se você vive “qualquer coisa”, procure inventar outra maneira pra viver. Assim, viverá contente e feliz deixando os outros viverem em paz.


Este é o meu pensamento.


Publicado no Recanto das Letras em 25/03/2010
Código do texto: T2158491

DIAS DE VERÃO




DIAS DE VERÃO
De: Ysolda Cabral


Manhãs com cheiro de café
E pão assado
Queijo do coalho no tacho
Agradecimento e oração

Pé de goiaba e carambola
Mamão, manga e cajá
Em dias de sol escaldante
Sombras refrescantes
Nas tardes no quintal

Noites frias de lua cheia
Bandolim e violão
Composição de muita música
No terraço de casa
Uma verdadeira audição

Lembranças da menina
Que sei que fui um dia
E que hoje não sou mais

**********

Publicado no Recanto das Letras em 24/03/2010
Código do texto: T2156647

terça-feira, 23 de março de 2010

¨ENCARNADA POR FREI DAMIÃO"


"ENCARNADA POR FREI DAMIÃO"
De: Ysolda Cabral



Ela é bonita, alegre, barulhenta, inteligente, espirituosa e exageradamente minuciosa em suas narrativas, cujo tema sempre versa sobre ela. Ontem nos contou que, no último sábado foi ao casamento de uma amiga. E, como ela e o marido seriam uma das testemunhas resolveu caprichar no visual.

Devo observar que, há um tempo, esteve no seu endocrinologista – aquele das fórmulas milagrosas que fazem emagrecer como num passe de mágica - e seu manequim chegou rapidamente a 42. Entretanto, ao se preparar para o casamento, acima mencionado, constatou que dos 42 já estava perto dos 48, considerando o período menstrual, o qual sempre a deixa um pouco mais redondinha por conta de inchaço. Claro!

Com um apertinho, aqui e acolá, estaria resolvida a questão. Mais que depressa recorreu ao “chupa cabra” de sua mãe (espécie de macaquito que começa nas pernas e termina um pouco abaixo do peito, preso com silicone de altíssima potência, e, segundo ela, capaz de fraturar facilmente as costelas ). Por cima, uma poderosíssima calça-cinta que serviria, inclusive, para manter o absorvente no devido lugar. De sutiã resolveu usar um de bojo para dar mais volume e “altivez”, preso ao pescoço, e, finalmente, estava pronta para ser “envolvida” pelo vestido diáfano, azul turquesa de manequim 42.

Em cima de altíssimos saltos, devidamente maquiada, penteada e perfumada saiu do quarto deslumbrando o marido e o filho que impacientes lhe aguardavam.

Fazia tempo que não se sentia tão bela, elegante, sexy, poderosíssima... O marido “babava” literalmente.

A cerimônia ainda estava pela metade, quando começou a sentir os pés doendo, o pescoço pesando, queimando e, naturalmente, o peito arriando. O silicone do “chupa cabra” se enroscando nas dobrinhas das costas, levando consigo parte do sutiã e da calça-cinta. E o suplicio apenas estava começando.

Finalmente a cerimônia acabou e todos se dirigiram para o salão de recepção. A esta alturas ela se sentia “encarnada” pelo próprio Frei Damião de tanto que sua postura lembrava a dele. Neste momento, em total desespero, implorou ao estupefato marido que a levasse embora imediatamente, jurando nunca mais deixar de comer docinhos e bolo de noiva de casamento algum.

Ysolda Cabral
Publicado no Recanto das Letras em 23/03/2010
Código do texto: T2154604

domingo, 14 de março de 2010

DIA DA POESIA

DIA DA POESIA


Tem dias que a sensibilidade está tão suave que em tudo vê poesia. Já em outros ela fica simplesmente indiferente, como se estivesse cansada, doente... Nessas ocasiões não adianta o poeta querer compor nenhum verso, pois nenhum teria proveito. E, hoje, especialmente hoje – dia que se comemora a poesia – minha sensibilidade está assim.

Entretanto, como não poderia deixar de registrar este dia tão especial, resolvi trazer para vocês – poetas – o primeiro poema que tive a honra de publicar no Recanto das Letras. Com ele deixo meus parabéns a todos vocês, com votos de muita “inspiração suave”.

APENAS FLOR

Hoje sou apenas Flor
Uma Flor qualquer
Nascida em qualquer lugar
Não tenho nome
Não tenho cor
Mas tenho beleza
Sou delicada e bem faceira
Meus espinhos são feitos
De goma elástica
Para não machucar
Apenas jogar longe
Quem de mim se aproximar
Meu perfume se espalha
Por todos os lugares
E se você fechar os olhos,
Respirar bem fundo
Sentirá minha fragrância
E ficará a mercê dela
Por que hoje sou Flor
Flor que não serve para nada
Só para homenagear
O AMOR.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 14/03/2010
Código do texto: T2137795

sábado, 13 de março de 2010

UM ESPECIAL BOM DIA

UM ESPECIAL BOM DIA
De: Ysolda Cabral


Hoje você me acordou cedinho,
Olhou-me curioso, saltitante e contente,
E, lá do seu jeito, me deu bom dia.

Meio indeciso e impaciente,
Ficou a refletir se iria embora,
Ou se ficava ali...

Afinal quem estava mais bonita;
Eu ou a manhã?

Ela estava iluminada,
Eu descansada.

Ela perfumada de maré alta;
Eu, no meu travesseiro de marcela,
Confortável e bem cheirosa.

Ela bem alegre e disposta;
Eu coquete e preguiçosa.

Então a decisão foi fácil:

Você me olhou,
Viu que tinha me acordado,
Deu-se por satisfeito,
Levantou vôo e foi embora.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 12/03/2010
Código do texto: T2134159

quinta-feira, 11 de março de 2010

GRANDE MENTIRA

GRANDE MENTIRA
De: Ysolda Cabral


Nas ruas desertas,
Lavadas de chuva;
Uma saudade me resta.

Na pintura das casas,
De fachadas serenas;
Uma saudade me resta.

Na melancólica manhã ,
De um lugar qualquer;
Uma saudade me resta.

No cheiro da terra molhada,
Pronta para o plantio;
Uma saudade me resta.

No silêncio que paira no ar,
Perturbado pelo som
Dos saltos dos meus sapatos;
Uma saudade me resta.

Na solidão dos caminhos,
Viajando sem receio pro passado;
Nenhuma saudade eu trago.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 11/03/2010
Código do texto: T2132809

quarta-feira, 10 de março de 2010

PRENUNCIO NO AR

PRENUNCIO NO AR
De: Ysolda Cabral



No silêncio da noite escura,
O canto do Acauã.

Nada se mexe!
Há um prenuncio no ar...

O frio não é acolhedor.
Congela os sentimentos mais puros
E mais bonitos.
Promessa de dissabor.

A luz do lampião não clareia.
Nos acordes da viola,
Há um lamento conformado,
De uma tristeza sem vereda.

O tocador perde o compasso.
Vencido pára de tocar.

E no silêncio da noite escura,
Cortado pelo canto do acauã...

O sertanejo não tem dúvida:
É a morte que não tarda pra chegar.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 10/03/2010
Código do texto: T2130483

terça-feira, 9 de março de 2010

FRAGILIDADE

FRAGILIDADE
De: Ysolda Cabral


Fragilidade há no orvalho,
sob o Sol da manhã.

Fragilidade há na noite escura,
sem vaga-lume e sem Lua.

Fragilidade há no banhista,
que não respeita o Mar.

Fragilidade há no doente,
sem família e sem plano de saúde.

Fragilidade há naquele que possui muitos tetos,
quando nega um simples abrigo.

Fragilidade há naquele,
que nega um pão ao faminto.

Fragilidade há na velhice,
sem aposentadoria digna.

Fragilidade há no menino de rua,
“alimentado de pedra”...

Fragilidade há na Flor,
abandonada num canto qualquer.

Fragilidade há no bem-querer,
Quando não é amor.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 09/03/2010
Código do texto: T2129200

segunda-feira, 8 de março de 2010

"O HOMEM FOI FEITO DE NOSSA COSTELA

"O HOMEM FOI FEITO DE NOSSA COSTELA”
De: Ysolda Cabral



Acordei com os primeiros raios de Sol sobre minha jardineira de hortelã, cujos cuidados ando meio esquecida há um bom tempo. Contudo, ela continua firme, forte, perfumada e me acordando de muitos pesadelos. Entretanto, hoje, especialmente hoje, por pura vingança, resolveu me acordar de um sonho lindo, me fazendo levantar com cara de poucos amigos. Fui até ela disposta a lhe fazer uma careta e ao invés disso, sorri e fui mais perto sentir o seu perfume.

Apressei-me, pois precisava chegar cedo ao trabalho para o café da manhã em nossa homenagem, e, enquanto me arrumava, comecei a pensar nas corajosas norte-americanas que, em 08 de março de 1857, foram queimadas vivas por reivindicarem melhores condições de trabalho e de salários na fábrica de tecidos aonde trabalhavam.

- Que coisa medonha!

Fiquei a conjecturar sobre a coragem da mulher. Somos mesmo muito valentes, característica que poucos homens possuem. A maioria deles se prevalece, covardemente, da força física e chama isso de coragem.

- Pois sim!!!

Consegui sair de casa às 06h45m e o trânsito já engarrafado me exasperou. Respirei fundo, tentando relaxar e decidi que nada hoje iria me tirar do tom.

De repente, entre os veículos, uma mulher de bicicleta me chamou a atenção. Procurei minha câmara digital e verifiquei tê-la deixado em casa.

– Que raiva!!!

E agora, como provar o que eu estava vendo?! Porque o que eu via era realmente um ato de bravura por excelência!!

No meio do trânsito infernal uma mulher negra, mãe corajosa, altiva e bela levava suas três filhas para a escola em sua bicicleta.

- Que coisa mais bonita!!!

Chegando ao trabalho, ainda sentindo orgulho de também ser mulher – não tão corajosa como a mãe ciclista – fui ver meus e-mails. Um deles dizia assim:

“Não vou parabenizá-la pelo dia das mulheres porque acho um desaforo reservar apenas um dia, quando todas merecem o ano inteiro”.

É isso aí!!! Merecemos mesmo!

Somos a coisa mais bonita e mais perfeita que Ele fez.

Inclusive, minha amiga poetisa, Cida Sampaio, afirma, com muita propriedade que, o homem foi feito de nossa costela e não o contrário. Sábia e inteligente mulher!

À ela toda minha admiração. (Rsrs)

*****

Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2010
Código do texto: T2126880

sábado, 6 de março de 2010

VOANDO ALTO... BEM ALTO

VOANDO ALTO... BEM ALTO
De: Ysolda Cabral


Independente da idade;
Não perca a sensibilidade,
A jovialidade, a espontaneidade.

Independente do medo,
Do sofrimento, do horror;
Não perca o bom humor.

Independente da dificuldade;
Não perca a vontade.

Independente da incompreensão;
Não mude seu entendimento,
Sua opinião, sua decisão.

Independente da tristeza;
Sorria e dê asas à alegria,
A imaginação...

Independente da covardia;
Seja corajosa pelo menos um dia
E ouse, voe alto, bem alto!!

Você deve e pode.
Acredite na sorte.

Independente de ter pesadelos;
Não deixe de sonhar, pois o sonho
Sempre há de lhe deixar mais bonita.

Independente da indiferença;
Ah, esqueça, deixa pra lá!

Hoje é sábado,
E amanhã é domingo;
Um outro dia, com certeza, virá.


*****

Publicado no Recanto das Letras em 06/03/2010
Código do texto: T2123908

sexta-feira, 5 de março de 2010

ONDE ESTÁ VOCÊ

ONDE ESTÁ VOCÊ
De: Ysolda Cabral


Penso em você e fico calma,
Mesmo num dia como o de hoje,
Que mais parece noite.

A acácia não me anima,
E a realidade é um açoite.

Estou em cinco de março,
Do século passado.

Estou só e lhe procuro,
Infelizmente não lhe acho.

Se estivéssemos mesmo estado lá
Porque nenhuma lembrança trago?

Ah, meu amado, que mundo mais doido!

E hoje, especialmente hoje,
Pelo qual ainda dou Graças,
Que preciso tanto de você,
Porque eu não lhe acho?

*****

Publicado no Recanto das Letras em 05/03/2010
Código do texto: T2121412

quinta-feira, 4 de março de 2010

CARA AMADA

CARA AMADA
De: Ysolda Cabral


Por amor a poesia,
Um belo dia lhe inventei.

Hoje não sei que cara você tem.
Por vezes a cara é amiga,
Outras é estranha e esquisita.

Por onde ela paira,
Não saberia precisar.
Se for pela vida real,
Ela é sobrenatural.

Entretanto,
Isso não importa.
E, independente dela ser:

Preta ou branca,
Vermelha ou amarela,
Vestida de poesia...

É a cara mais amada,
E, mais bonita,
De toda minha vida.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 04/03/2010
Código do texto: T2119354

quarta-feira, 3 de março de 2010

PURPURINA NA ESCURIDÃO

PURPURINA NA ESCURIDÃO
De: Ysolda Cabral



Luz de vela;
Um jantar... Apenas.

Luz de lampião;
Noites do sertão...

Luz da lâmpada;
Na Cidade Luz...

Luz do farol;
Namorada no Cais...

Luz de Vaga-lume;
Purpurina na escuridão!

Luz da Lua;
Eterna canção...

Luz do Sol;
Um novo dia!

A mais perfeita:

A do teu olhar,
Ao me ver chegar.

*****



Publicado no Recanto das Letras em 02/03/2010
Código do texto: T2115818

segunda-feira, 1 de março de 2010

SONHO DE VERÃO

SONHO DE VERÃO
De: Ysolda Cabral


Dias quentes e lindos...
Saudade aplacada de você.

No coração a certeza,
De nunca mais lhe perder.

Noites calmas,
Sem pesadelos toscos,
Plenas de amor e de descanso.

Amanhecer feliz, repleto de luz,
E de esperança...

Sair por aí...,
Sem destino, sem desatino.

Sentir o Vento no rosto,
Segurar sua mão e seguir...

*****
Publicado no Recanto das Letras em 01/03/2010
Código do texto: T2113966