quarta-feira, 31 de março de 2010

"TRANSPLANTE DE BONDADE"



“TRANSPLANTE DE BONDADE”
De: Ysolda Cabral




Novamente em “Tempos de Páscoa...”

Tempo de reflexão, de se renovar a fé, a caridade cristã, a esperança... Parei diante da tela do meu computador, há pouco em branco, pensando alguma coisa proveitosa para escrever e nada me ocorria.

De repente o telefone tocou e eu atendi. Era a minha filha Yauanna que queria saber como eu estava. Falamos rápido e ao desligar o telefone, pensando no quanto ela cresceu rápido, voltei a fevereiro de 1997, quando foi noticiado ao mundo o primeiro mamífero clonado – a ovelha Dolly. Aquilo nos assustou, apesar de não ter surpreendido ninguém.

Yauanna, com seis anos na época, depois de nos fazer um monte de perguntas sobre clone, transplante e etc. e tal, saiu correndo pela casa pulando de alegria.

Ficamos estupefatos com aquela atitude e sem entender nada. Quando finalmente ela parou de comemorar, achegou-se eufórica junto de nós e contando nos dedinhos, considerou:

Duas vezes roubaram coisas de nossa casa
Na escola tem aquele menino que bate e morde todo mundo
Quando ela ia para o terceiro dedinho e, pelo jeito não ia parar tão cedo, lhe interrompi e perguntei o que aquilo tinha haver com transplante, clone, ovelha Dolly. E ela prontamente me respondeu: “ora mamãe, agora os cientistas vão descobrir um jeito de fazer transplante de bondade. Aí só existirão pessoas boas. Eba!!!!!!!”

Pois é!!

Uma Páscoa de Paz para todos, com votos de que " transplante de bondade" um dia seja possível.


*****

Publicado no Recanto das Letras em 31/03/2010
Código do texto: T2169732

domingo, 28 de março de 2010

O DIA MAIS BONITO


O DIA MAIS BONITO
De: Ysolda Cabral


No dia de domingo podemos:
Acordar tarde, comer bastante;
Andar a beira-mar ou no shopping;
Ir ao cinema, ao teatro...

Ou,

Acordar cedo, ir à missa;
Almoçar com a família;
Dormir a tarde toda;
E a noite ter uma bruta insônia.

Na segunda, amanhecer cansada,
Desnorteada e sem disposição,
Esperando que na terça,
Haja uma significativa modificação.

Então chega a terça;
E no enfado da espera,
Você se desorienta e desespera,
Diante de tanta obrigação.

Na quarta, você visivelmente cansada,
Espera que na quinta aconteça alguma coisa,
Que lhe leve cheia de alegria para um novo dia.

Finalmente outro fim de semana chega,
- Com a sexta - E você repleta de animação,
Faz uma faxina completa,
Porém com todo cuidado e atenção.

Pega o cansaço e o enfado;
A falta de perspectiva e de esperança;
A solidão e a saudade...
Faz um grande pacote,
E joga no lixo sem nenhuma consideração...

Enfim, pronta para o SÁBADO,
O dia mais bonito, mais tranqüilo,
E você repleta de esperança
Sonha e espera... E espera e sonha...

E o que acontece...?!
- O domingo pinta!
Você fica sem tela e sem tinta
E morre na praia da desilusão.

*****


Publicado no Recanto das Letras em 28/03/2010
Código do texto: T2163706

sexta-feira, 26 de março de 2010

VALENTE FORMIGUINHA



VALENTE FORMIGUINHA
De: Ysolda Cabral


Sob forte chuva,
A formiguinha anda,
Entre cimento e grama,
Na beira do canal.

Como se passeasse,
Ou fizesse Cooper,
Lá vai a formiguinha,
Na beira do canal.

A água caída do Céu escuro,
Refresca e lhe dá ânimo,
Pra continuar seu caminho,
Na beira do canal.

Sem medo de ser esmagada,
Por sapatos encharcados,
Lá se foi a formiguinha,
Entre cimento e grama,
Na beira do canal.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 26/03/2010
Código do texto: T2160068

RAÍZES NO TEMPO

RAÍZES NO TEMPO
De: Ysolda Cabral

Árvores seculares,
Raízes no Tempo...
Frutos desperdiçados,

Quantos lamentos...
Tantos ais!!!

*****

Publicado no Recanto das Letras em 25/03/2010
Código do texto: T2158789

ESTRELAS CADENTES

ESTRELAS CADENTES
De: Ysolda Cabral


No chão nove estrelas a brilhar
Em formato retangular
E não asterisco...

São apenas reflexos,
Das luzes do teto.

O poeta enxuga a lágrima,
Sem ninguém notar.

***


Publicado no Recanto das Letras em 25/03/2010
Código do texto: T2158770

VIDA "QUALQUER COISA"

VIDA “QUALQUER COISA”
De: Ysolda Cabral


Ah! O amor...

Às vezes este sentimento é tão forte que, independente de nossa vontade ele transborda e cria vontade própria. Acredito que isso é comum em qualquer pessoa que ama profundamente e que, infelizmente ou felizmente, não vive o amor em toda sua plenitude. Talvez se vivesse, fosse entendido de forma diferente. - Será que era amor de verdade, ou era apenas um amor desesperado por conta de sua impossibilidade de acontecer?

Não sei... O fato é que, os amores impossíveis sempre são os mais bonitos, mais apaixonantes, mais mágicos, mais poderosos e os mais sofridos, os quais inspiram o poeta a compor verdadeiras obras primas.

Seja inspirado em sua própria experiência, na experiência de outrem, ou simplesmente no seu “Mundo Faz de Conta”, o que importa?

A vida de qualquer pessoa sem amor, sem sonho e sem fantasia é qualquer coisa, menos vida.

Então, se você vive “qualquer coisa”, procure inventar outra maneira pra viver. Assim, viverá contente e feliz deixando os outros viverem em paz.


Este é o meu pensamento.


Publicado no Recanto das Letras em 25/03/2010
Código do texto: T2158491

DIAS DE VERÃO




DIAS DE VERÃO
De: Ysolda Cabral


Manhãs com cheiro de café
E pão assado
Queijo do coalho no tacho
Agradecimento e oração

Pé de goiaba e carambola
Mamão, manga e cajá
Em dias de sol escaldante
Sombras refrescantes
Nas tardes no quintal

Noites frias de lua cheia
Bandolim e violão
Composição de muita música
No terraço de casa
Uma verdadeira audição

Lembranças da menina
Que sei que fui um dia
E que hoje não sou mais

**********

Publicado no Recanto das Letras em 24/03/2010
Código do texto: T2156647

terça-feira, 23 de março de 2010

¨ENCARNADA POR FREI DAMIÃO"


"ENCARNADA POR FREI DAMIÃO"
De: Ysolda Cabral



Ela é bonita, alegre, barulhenta, inteligente, espirituosa e exageradamente minuciosa em suas narrativas, cujo tema sempre versa sobre ela. Ontem nos contou que, no último sábado foi ao casamento de uma amiga. E, como ela e o marido seriam uma das testemunhas resolveu caprichar no visual.

Devo observar que, há um tempo, esteve no seu endocrinologista – aquele das fórmulas milagrosas que fazem emagrecer como num passe de mágica - e seu manequim chegou rapidamente a 42. Entretanto, ao se preparar para o casamento, acima mencionado, constatou que dos 42 já estava perto dos 48, considerando o período menstrual, o qual sempre a deixa um pouco mais redondinha por conta de inchaço. Claro!

Com um apertinho, aqui e acolá, estaria resolvida a questão. Mais que depressa recorreu ao “chupa cabra” de sua mãe (espécie de macaquito que começa nas pernas e termina um pouco abaixo do peito, preso com silicone de altíssima potência, e, segundo ela, capaz de fraturar facilmente as costelas ). Por cima, uma poderosíssima calça-cinta que serviria, inclusive, para manter o absorvente no devido lugar. De sutiã resolveu usar um de bojo para dar mais volume e “altivez”, preso ao pescoço, e, finalmente, estava pronta para ser “envolvida” pelo vestido diáfano, azul turquesa de manequim 42.

Em cima de altíssimos saltos, devidamente maquiada, penteada e perfumada saiu do quarto deslumbrando o marido e o filho que impacientes lhe aguardavam.

Fazia tempo que não se sentia tão bela, elegante, sexy, poderosíssima... O marido “babava” literalmente.

A cerimônia ainda estava pela metade, quando começou a sentir os pés doendo, o pescoço pesando, queimando e, naturalmente, o peito arriando. O silicone do “chupa cabra” se enroscando nas dobrinhas das costas, levando consigo parte do sutiã e da calça-cinta. E o suplicio apenas estava começando.

Finalmente a cerimônia acabou e todos se dirigiram para o salão de recepção. A esta alturas ela se sentia “encarnada” pelo próprio Frei Damião de tanto que sua postura lembrava a dele. Neste momento, em total desespero, implorou ao estupefato marido que a levasse embora imediatamente, jurando nunca mais deixar de comer docinhos e bolo de noiva de casamento algum.

Ysolda Cabral
Publicado no Recanto das Letras em 23/03/2010
Código do texto: T2154604

domingo, 14 de março de 2010

DIA DA POESIA

DIA DA POESIA


Tem dias que a sensibilidade está tão suave que em tudo vê poesia. Já em outros ela fica simplesmente indiferente, como se estivesse cansada, doente... Nessas ocasiões não adianta o poeta querer compor nenhum verso, pois nenhum teria proveito. E, hoje, especialmente hoje – dia que se comemora a poesia – minha sensibilidade está assim.

Entretanto, como não poderia deixar de registrar este dia tão especial, resolvi trazer para vocês – poetas – o primeiro poema que tive a honra de publicar no Recanto das Letras. Com ele deixo meus parabéns a todos vocês, com votos de muita “inspiração suave”.

APENAS FLOR

Hoje sou apenas Flor
Uma Flor qualquer
Nascida em qualquer lugar
Não tenho nome
Não tenho cor
Mas tenho beleza
Sou delicada e bem faceira
Meus espinhos são feitos
De goma elástica
Para não machucar
Apenas jogar longe
Quem de mim se aproximar
Meu perfume se espalha
Por todos os lugares
E se você fechar os olhos,
Respirar bem fundo
Sentirá minha fragrância
E ficará a mercê dela
Por que hoje sou Flor
Flor que não serve para nada
Só para homenagear
O AMOR.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 14/03/2010
Código do texto: T2137795

sábado, 13 de março de 2010

UM ESPECIAL BOM DIA

UM ESPECIAL BOM DIA
De: Ysolda Cabral


Hoje você me acordou cedinho,
Olhou-me curioso, saltitante e contente,
E, lá do seu jeito, me deu bom dia.

Meio indeciso e impaciente,
Ficou a refletir se iria embora,
Ou se ficava ali...

Afinal quem estava mais bonita;
Eu ou a manhã?

Ela estava iluminada,
Eu descansada.

Ela perfumada de maré alta;
Eu, no meu travesseiro de marcela,
Confortável e bem cheirosa.

Ela bem alegre e disposta;
Eu coquete e preguiçosa.

Então a decisão foi fácil:

Você me olhou,
Viu que tinha me acordado,
Deu-se por satisfeito,
Levantou vôo e foi embora.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 12/03/2010
Código do texto: T2134159

quinta-feira, 11 de março de 2010

GRANDE MENTIRA

GRANDE MENTIRA
De: Ysolda Cabral


Nas ruas desertas,
Lavadas de chuva;
Uma saudade me resta.

Na pintura das casas,
De fachadas serenas;
Uma saudade me resta.

Na melancólica manhã ,
De um lugar qualquer;
Uma saudade me resta.

No cheiro da terra molhada,
Pronta para o plantio;
Uma saudade me resta.

No silêncio que paira no ar,
Perturbado pelo som
Dos saltos dos meus sapatos;
Uma saudade me resta.

Na solidão dos caminhos,
Viajando sem receio pro passado;
Nenhuma saudade eu trago.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 11/03/2010
Código do texto: T2132809

quarta-feira, 10 de março de 2010

PRENUNCIO NO AR

PRENUNCIO NO AR
De: Ysolda Cabral



No silêncio da noite escura,
O canto do Acauã.

Nada se mexe!
Há um prenuncio no ar...

O frio não é acolhedor.
Congela os sentimentos mais puros
E mais bonitos.
Promessa de dissabor.

A luz do lampião não clareia.
Nos acordes da viola,
Há um lamento conformado,
De uma tristeza sem vereda.

O tocador perde o compasso.
Vencido pára de tocar.

E no silêncio da noite escura,
Cortado pelo canto do acauã...

O sertanejo não tem dúvida:
É a morte que não tarda pra chegar.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 10/03/2010
Código do texto: T2130483

terça-feira, 9 de março de 2010

FRAGILIDADE

FRAGILIDADE
De: Ysolda Cabral


Fragilidade há no orvalho,
sob o Sol da manhã.

Fragilidade há na noite escura,
sem vaga-lume e sem Lua.

Fragilidade há no banhista,
que não respeita o Mar.

Fragilidade há no doente,
sem família e sem plano de saúde.

Fragilidade há naquele que possui muitos tetos,
quando nega um simples abrigo.

Fragilidade há naquele,
que nega um pão ao faminto.

Fragilidade há na velhice,
sem aposentadoria digna.

Fragilidade há no menino de rua,
“alimentado de pedra”...

Fragilidade há na Flor,
abandonada num canto qualquer.

Fragilidade há no bem-querer,
Quando não é amor.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 09/03/2010
Código do texto: T2129200

segunda-feira, 8 de março de 2010

"O HOMEM FOI FEITO DE NOSSA COSTELA

"O HOMEM FOI FEITO DE NOSSA COSTELA”
De: Ysolda Cabral



Acordei com os primeiros raios de Sol sobre minha jardineira de hortelã, cujos cuidados ando meio esquecida há um bom tempo. Contudo, ela continua firme, forte, perfumada e me acordando de muitos pesadelos. Entretanto, hoje, especialmente hoje, por pura vingança, resolveu me acordar de um sonho lindo, me fazendo levantar com cara de poucos amigos. Fui até ela disposta a lhe fazer uma careta e ao invés disso, sorri e fui mais perto sentir o seu perfume.

Apressei-me, pois precisava chegar cedo ao trabalho para o café da manhã em nossa homenagem, e, enquanto me arrumava, comecei a pensar nas corajosas norte-americanas que, em 08 de março de 1857, foram queimadas vivas por reivindicarem melhores condições de trabalho e de salários na fábrica de tecidos aonde trabalhavam.

- Que coisa medonha!

Fiquei a conjecturar sobre a coragem da mulher. Somos mesmo muito valentes, característica que poucos homens possuem. A maioria deles se prevalece, covardemente, da força física e chama isso de coragem.

- Pois sim!!!

Consegui sair de casa às 06h45m e o trânsito já engarrafado me exasperou. Respirei fundo, tentando relaxar e decidi que nada hoje iria me tirar do tom.

De repente, entre os veículos, uma mulher de bicicleta me chamou a atenção. Procurei minha câmara digital e verifiquei tê-la deixado em casa.

– Que raiva!!!

E agora, como provar o que eu estava vendo?! Porque o que eu via era realmente um ato de bravura por excelência!!

No meio do trânsito infernal uma mulher negra, mãe corajosa, altiva e bela levava suas três filhas para a escola em sua bicicleta.

- Que coisa mais bonita!!!

Chegando ao trabalho, ainda sentindo orgulho de também ser mulher – não tão corajosa como a mãe ciclista – fui ver meus e-mails. Um deles dizia assim:

“Não vou parabenizá-la pelo dia das mulheres porque acho um desaforo reservar apenas um dia, quando todas merecem o ano inteiro”.

É isso aí!!! Merecemos mesmo!

Somos a coisa mais bonita e mais perfeita que Ele fez.

Inclusive, minha amiga poetisa, Cida Sampaio, afirma, com muita propriedade que, o homem foi feito de nossa costela e não o contrário. Sábia e inteligente mulher!

À ela toda minha admiração. (Rsrs)

*****

Publicado no Recanto das Letras em 08/03/2010
Código do texto: T2126880

sábado, 6 de março de 2010

VOANDO ALTO... BEM ALTO

VOANDO ALTO... BEM ALTO
De: Ysolda Cabral


Independente da idade;
Não perca a sensibilidade,
A jovialidade, a espontaneidade.

Independente do medo,
Do sofrimento, do horror;
Não perca o bom humor.

Independente da dificuldade;
Não perca a vontade.

Independente da incompreensão;
Não mude seu entendimento,
Sua opinião, sua decisão.

Independente da tristeza;
Sorria e dê asas à alegria,
A imaginação...

Independente da covardia;
Seja corajosa pelo menos um dia
E ouse, voe alto, bem alto!!

Você deve e pode.
Acredite na sorte.

Independente de ter pesadelos;
Não deixe de sonhar, pois o sonho
Sempre há de lhe deixar mais bonita.

Independente da indiferença;
Ah, esqueça, deixa pra lá!

Hoje é sábado,
E amanhã é domingo;
Um outro dia, com certeza, virá.


*****

Publicado no Recanto das Letras em 06/03/2010
Código do texto: T2123908

sexta-feira, 5 de março de 2010

ONDE ESTÁ VOCÊ

ONDE ESTÁ VOCÊ
De: Ysolda Cabral


Penso em você e fico calma,
Mesmo num dia como o de hoje,
Que mais parece noite.

A acácia não me anima,
E a realidade é um açoite.

Estou em cinco de março,
Do século passado.

Estou só e lhe procuro,
Infelizmente não lhe acho.

Se estivéssemos mesmo estado lá
Porque nenhuma lembrança trago?

Ah, meu amado, que mundo mais doido!

E hoje, especialmente hoje,
Pelo qual ainda dou Graças,
Que preciso tanto de você,
Porque eu não lhe acho?

*****

Publicado no Recanto das Letras em 05/03/2010
Código do texto: T2121412

quinta-feira, 4 de março de 2010

CARA AMADA

CARA AMADA
De: Ysolda Cabral


Por amor a poesia,
Um belo dia lhe inventei.

Hoje não sei que cara você tem.
Por vezes a cara é amiga,
Outras é estranha e esquisita.

Por onde ela paira,
Não saberia precisar.
Se for pela vida real,
Ela é sobrenatural.

Entretanto,
Isso não importa.
E, independente dela ser:

Preta ou branca,
Vermelha ou amarela,
Vestida de poesia...

É a cara mais amada,
E, mais bonita,
De toda minha vida.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 04/03/2010
Código do texto: T2119354

quarta-feira, 3 de março de 2010

PURPURINA NA ESCURIDÃO

PURPURINA NA ESCURIDÃO
De: Ysolda Cabral



Luz de vela;
Um jantar... Apenas.

Luz de lampião;
Noites do sertão...

Luz da lâmpada;
Na Cidade Luz...

Luz do farol;
Namorada no Cais...

Luz de Vaga-lume;
Purpurina na escuridão!

Luz da Lua;
Eterna canção...

Luz do Sol;
Um novo dia!

A mais perfeita:

A do teu olhar,
Ao me ver chegar.

*****



Publicado no Recanto das Letras em 02/03/2010
Código do texto: T2115818

segunda-feira, 1 de março de 2010

SONHO DE VERÃO

SONHO DE VERÃO
De: Ysolda Cabral


Dias quentes e lindos...
Saudade aplacada de você.

No coração a certeza,
De nunca mais lhe perder.

Noites calmas,
Sem pesadelos toscos,
Plenas de amor e de descanso.

Amanhecer feliz, repleto de luz,
E de esperança...

Sair por aí...,
Sem destino, sem desatino.

Sentir o Vento no rosto,
Segurar sua mão e seguir...

*****
Publicado no Recanto das Letras em 01/03/2010
Código do texto: T2113966

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O QUE VOCÊ FAZ COMIGO

O QUE VOCÊ FAZ COMIGO
De: Ysolda Cabral


Compus um poema de todo coração,
Com versos de puro sentimento,
E o vesti de Sol Maior na canção.

Num suave dedilhar constante,
De poucos acordes dissonantes,
Ensaiei o dia inteiro como dantes.

Ao cair da tarde,
Ocasião que o Sol se põe,
Você chegou cheio de saudades...

Larguei o violão e corri para você.

Quando da música me lembrei,
E quis mostrá-la pra você,
Constatei tê-la esquecido.
Que coisa mais incrível!

*****

Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2010
Código do texto: T2112648

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AMO VOCÊ DE VERDADE


AMO VOCÊ DE VERDADE
De: Ysolda Cabral



Pra você não tenho segredos,
Sou realidade, sou sonho,
E às vezes até sou pesadelo.

Com você sorrio a toa,
Choro de saudade e de raiva,
E, sei que você nem se abala.

Só pra você sou completa,
Sou eu mesma e da forma
Mais autentica e mais sincera.

Quando digo que lhe amo,
Adoro e quero bem,
Não fique bravo comigo,
E nem se avexe.
Apenas diga: eu também.

Se lhe der um beijo de surpresa,
Não tenha medo e nem se afaste,
Pois amo você de verdade.


Publicado no Recanto das Letras em 26/02/2010
Código do texto: T2108714

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CIDADE DOS MORTOS

CIDADE DOS MORTOS
De: Ysolda Cabral


Ruas silenciosas...
Transversais vazias.
Na Cidade dos Mortos,
Nem choro e nem alegria.

Novos moradores chegam,
Trazidos pelas mãos de pessoas incrédulas,
Estarrecidas...

Um canto de pássaro desconhecido,
É nitidamente escutado.

Olho para os lados e para cima,
Vejo o Céu e árvores seculares.
Paro e penso: onde está a poesia?
E a realidade se impõe.

Vou embora com a certeza
De que um dia vou voltar
E, desta feita pra ficar.
Só não sei quando será.


Publicado no Recanto das Letras em 23/02/2010
Código do texto: T2103303

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PAPEL DE PRESENTE

PAPEL DE PRESENTE
De: Ysolda Cabral


Fecho os olhos bem devagar,
Coloco a mão esquerda sobre o papel
Do último presente que você me deu.

E não é que,
Ainda sinto nele a sua energia!
Parece até coisa do Céu.

O coração dispara. - Paro!
Respiro fundo,
Solto lentamente o ar
E constato:
Ainda estou no mundo.

O dia está tão bonito lá fora!
Até o Pé de Acácia,
Fora de época flora.

Preciso sair daqui agora...!
Preciso esquecer você...!
Antes que esta saudade,
Antecipe a minha morte.

*****
Publicado no Recanto das Letras em 22/02/2010
Código do texto: T2100886

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ODEIO VOCÊ

ODEIO VOCÊ
De: Ysolda Cabral


Penso em você...
Engulo seco, perco o jeito...
Não amo mais você... Odeio!

Penso em você...
Sinto saudades, fico com raiva,
Meu dia fica sem graça,
E choro desamparada.

Penso em você...
Decido lhe arrancar do meu coração,
Da minha alma,
E jamais lhe fazer outra canção.

Penso em você...
Fico triste e sigo...
Com a minha alegre solidão.
**********
Publicado no Recanto das Letras em 21/02/2010Código do texto: T2099081

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

MÁGICO POR DE SOL




MÁGICO POR DE SOL
De: Ysolda Cabral


O olhar no infinito do nada,
Passa pra gente toda a inutilidade,
Dos enfeites como um rio sem vida.

Conceito de belo é elo pra enganos,
De sonhos vãos que, na medida do tempo,
Simplesmente destrói quaisquer planos.

Querer mudar tudo isso é impossível!
E o entardecer da vida se faz presente,
Em cada pedacinho da gente.

O olhar continua lá...
Lindo! Lindo!
Preso ao mágico Por de Sol,
Na espera de uma linda Noite Calma.
*****

Publicado no Recanto das Letras em 17/02/2010
Código do texto: T2092272

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

SÓ PEÇO QUE ME AME

SÓ PEÇO QUE ME AME
De: Ysolda Cabral

.

Ofereço-lhe amor de verdade,
Com rosas, jantares a luz de velas
E declarações apaixonadas.

Ofereço-lhe amor de verdade,
Com sabor de poesia,
Todos os nossos dias
E dormirei com você abraçada.

Ofereço-lhe amor de verdade,
Como uma música suave,
Que cantarei para você,
Mesmo que, pelo amor, desafinada.

Ofereço-lhe amor de verdade
Contudo, lhe imploro: por Deus!
Me ame com a mesma intensidade.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 15/02/2010
Código do texto: T2089112

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O AMOR PAIRA NO AR



O AMOR PAIRA NO AR
De: Ysolda Cabral



Caminho no calçadão de Boa Vagem. É domingo de carnaval e as pessoas me parecem tristes e desamparadas. Por mim passam homens e mulheres de todas as idades. Crianças e cachorrinhos de raça e até vira-lata. Todos me parecem iguais e abandonados. Não há alegria, apesar da época. No acostamento um veículo pára. O som está ligado. É Alceu que canta um frevo lindo e animado.

De repente percebo que a alegria contagia de tal forma que a inércia desaparece e todos dão sinal de vida. O garotinho, de uns três anos, começa a pular. Uma senhora, bastante idosa começa a cantar: “Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelos braços...” O casal se abraça e o amor paira no ar. – Que coisa mais bonita!

O mundo triste sumiu como num passe de mágica. Perplexa percebo o meu cansaço e, não tendo coragem de sentar para não estragar a alegria que ali se instalava, fiz o caminho de volta pra casa.

Ultimamente ando mais sensível que o normal e com um vazio enorme no peito. - Será que estou com a doença do século, ou apenas ficando uma velhinha qualquer?!

- Que legal!!!! Ainda bem. Pensava ser algo pior.

Acho que vou me arrumar, colocar uma flor no cabelo e vou pro Recife Antigo.

Quem sabe não toquem por lá a marchinha do Nelson Ferreira “Evocação nº 01”?




Publicado no Recanto das Letras em 14/02/2010
Código do texto: T2087419

sábado, 13 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA


QUEM SOU EU


Recebi o seguinte questionário e resolvi respondê-lo publicamente.


P. Você nasceu em que cidade?
R. Nasci no “País” de Caruaru – Estado de Pernambuco, em 22/04/1954

P. Estado civil?
R. Casada.

P. Filhos?
R. Sim. Uma filha linda e que nasceu feia pra danar (rsrs)

P. Profissão?
R. Secretária Executiva ( aposentada ); técnica da Divisão Jurídica do Crea-PE; estudante de Direito; pretensa escritora e poetisa, com um livro de poesias publicado; outro em fase de acabamento; um romance em andamento e mais dois livros de poemas e um de crônicas a serem finalizados.

P. Quais seus maiores feitos?
R. Aos 11 anos compor minha primeira música; aos 14, publicar minha primeira crônica; aos 15, ter sido escolhida a “Garota Charme” de minha cidade; aos 20, representar Caruaru no Miss Pernambuco e ser classificada no 3º lugar, sem nunca “me achar”; sobreviver às furiosas línguas que existem em todas as cidades de interior, casar aos 33 e ser mãe aos 36.

P. Quais os livros que lhe marcaram?
R. O Diário de Anne Frank, Satiricon de Petrônio, O Mundo de Sofia de Jostein, Mergulho na Paz de Hermógenes, Mutações de Liv Ulmann, A Gota D’agua de Paulo Pontes, todos de Hermann Hesse, Khalil Gibran, Gabriel Garcia Marques, Jorge Amado, Sidney Sheldon, Ariano Suassuna, Jessier Quirino, Airton Lócio e por aí vai (rsrs)

P. Quais seus escritores preferidos?
R. Os do Recanto das Letras, claro (rsrs)

P. Quais filmes você recomendaria?
R. Yentl; O Bolero de Ravel; O Pequeno Traidor; Um Ato de Liberdade; O Som do Coração; Amor Sem Fronteiras; Ensaio Sobre a Cegueira. O Caçador de Pipas; Um Sonho de Liberdade; O Amor Não Tira Férias; Doce Novembro, Austrália. Jogo de Amor Em Las Vegas; O Clube da Feliz Idade; Sem Reservas; Por Que Eu Me Casei; O Leitor. O Poder da Paixão; O Menino de Pijama Listrado; Busca Implacável; Juntos Pela Vida; Terapia do Amor; Divã e tantos outros mais (adoro filmes)

P. Qual o pior defeito do ser humano na sua concepção?
R. A pobreza de espírito, a falta de caráter, a inveja, a ganância, a vaidade, a ambição desmedida, a falta de caridade, a falta de humanidade, a falta de generosidade, a falta de lealdade e a falta de fé.

P. O que mais você odeia?
R. Mentirosos, maldosos, exibicionistas, falsos moralistas, narcisistas, covardes, medrosos, irresponsáveis, pessoas que falam alto, que se “acham”; “dedos-duros”, bajuladores, deselegância, falta de respeito, falta de consideração, falta de educação. E mais; sujeira de qualquer espécie, traição, bagunça, barata, política, futebol, fanatismo e tantas outras coisas mais... Inclusive, falta de palavra.

P. O que não lhe cansa?
R. Ler, escrever, nadar, andar, comer, brincar, sorrir, chorar e falar o que ninguém gosta de ouvir. (Rsrs)

P. O que você precisa aprender?
R. Muita coisa, porém o que se faz mais urgente em mim é aprender a ter paciência e aprender a escutar.

P. O que é absurdo para você?
R. A fome, a miséria, a discriminação e as diferenças sociais e culturais

P. Você reprova alguém?
R. Não. Não reprovo ninguém, pois cada um sabe de si.

P. Com quem você não gosta de perder tempo?
R. Com gente burra e metida a besta.

P. O que sempre carrega com você?
R. Minha simplicidade, meu sorriso, minha autenticidade, meu amor e o meu Deus no coração.

P. Que roupa você não usaria?
R. Roupas apertadas, curtas, decotadas e nem usaria fio dental.

P. Que bicho não deveria existir?
R. O homem perverso.

P. Você usa palavrão?
R. Só quando há uma boa razão e para não morrer do coração. (Rsrs)

P. Palavras bonitas:
R. Amor, Paz, Harmonia, Verdade, Esperança.

P. Quem você mais ama na vida?
R. Minha filha indiscutivelmente.

P. Uma pessoa que você não conheça e lhe pareça verdadeira, generosa, inteligente e admirável.
R. Cyla Dalma (um amigo virtual)

P. Quais os instrumentos musicais que você mais gosta?
R. Violão, bandolim, harpa, Violino, Piano... Ah, são tantos!

P. Qual a estação do ano que você mais gosta?
R. Todas têm seus encantos e desencantos e nos inspira a compor muita poesia.

P. Quais suas Flores Preferidas
R. O Girassol, a flor de Cactus e a Orquídea

P. Quem é você?
R. Ninguém... Apenas Ysolda.

Ysolda Cabral
Publicado no Recanto das Letras em 14/02/2010
Código do texto: T2086344

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

NÃO HÁ LUGAR Q'EU QUEIRA IR



NÃO HÁ LUGAR Q'EU QUEIRA IR
De: Ysolda Cabral


Em delírio minha alma vaga,
Com desalento e muita dor,
Sem esperança de encontrar,
Amigo puro com ou sem cor.

Se você encontrar alguém assim,
Por favor, me diga e me apresente,
Pode ser o Cristo que chegou aqui.

Será possível que só a morte,
Realize sonhos e planos,
Ou é simplesmente sorte;
Como teve o casal Ghost!?

Neste Carnaval sairei de alma penada,
Vestida de mortalha a pular desvairada,
E se eu cair, não ligue e me deixe ali.
Pois não há mais lugar q’eu queira ir.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 11/02/2010
Código do texto: T2081531

domingo, 7 de fevereiro de 2010

COLANDO PEDAÇOS



COLANDO PEDAÇOS
De: Ysolda Cabral


A folia do Bloco da Jia passa.
Quem será o guia
De tanta alegria?!

O trio toca um frevo rasgado,
A multidão esquece a tristeza,
Pulando enlouquecida pelas ruas,
Do bairro da Boa Viagem...
- Ah, saudade!

O calor é de mais de trinta graus,
Em pleno domingo à tarde.
E ainda nem é carnaval!

Estou só com minhas dores...
A sensação de perda machuca,
E o dia perde suas cores.

Procuro a máscara e a fantasia,
Que também não foram usadas,
No carnaval passado...

E, ao encontrá-las destroçadas,
Não me surpreendo e sorrio,
Afasto o desânimo e o cansaço,
Colando de qualquer jeito os pedaços.
*****

Publicado no Recanto das Letras em 07/02/2010
Código do texto: T2074516

MATÁFORAS - II



METÁFORAS - II


Por adorar meu amor inventado,
Hoje lhe mando um recado,
Cujo cabeçalho começa assim:

Por aqui o dia amanheceu
Muito firme e muito forte,
Exatamente como eu.

E continuo...

Mesmo estando de saudade febril,
Fui caminhar e logo percebi,
Que do canto não saí.

Tentei levantar e foi em vão.
A cabeça doía e os braços também.
As pernas não obedeciam,
E foi assim que começou o meu dia.

De repente muita raiva me deu,
E de um pulo levantei.
Resultado: fui parar no chão frio,
O qual me arrefeceu.

E agora estou aqui,
A lhe escrever estas linhas,
Só pra dizer que, pode não parecer,
Mas ainda amo você.

*****

Publicado no Recanto das Letras em 07/02/2010
Código do texto: T2074024

sábado, 6 de fevereiro de 2010

MATÁFORAS



METÁFORAS
De: Ysolda Cabral


Não sabia que a tristeza doía tanto
Não sabia que o silêncio poderia incomodar
Não sabia que o desânimo tirava sono
Não sabia que o dia custasse a passar

Não sabia que não sabia de nada
Só sabia que sabia mais sorrir que chorar.

Sabia que um dia especial iria chegar
Sabia que todos os meus sonhos ele iria levar
Sabia que a indiferença poderia matar
Sabia que o inusitado não poderia alcançar

Sabia que não sabia de nada
Agora só quero saber de chorar

Amanhã é outro dia...

O Sol me fará novamente levantar
Fico agora a pensar: e se amanhecer chovendo...?
E eu mesma me respondo: você ficará na cama
E nela permanecerá até que a chuva vá pra outro lugar.

Não sabia que não sabia de nada
Agora só quero saber de dormir pra sonhar.


Publicado no Recanto das Letras em 07/02/2010
Código do texto: T2073534

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

COM OU SEM MÁSCARA?

COM OU SEM MÁSCARA?
De: Ysolda Cabral


O Pé de Acácia já perdeu suas flores
As folhas, ainda verdinhas,
Estão sozinhas...

A avenida de trânsito intenso
Perdeu o charme
É a vida que passa
Esqueço e não sinto nada

Mas o carnaval está chegando
As fantasias estão sendo preparadas
As marchinhas estão sendo tocadas...

Nas ruas e nas praças
Alegrando o coração da gente
E nos deixando em estado de graça

Ficar triste é terminantemente proibido
Lembrar os amores perdidos
É pecado imperdoável
E o sorriso deve ser escancarado

O carnaval está chegando...
Devo escolher uma máscara?



Publicado no Recanto das Letras em 04/02/2010
Código do texto: T2068928

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DESMORALIZADA NUMA BOA


DESMORALIZADA NUMA BOA
De: Ysolda Cabral



Considero-me uma pessoa de relativo bom gosto. Educada e muito bem humorada. Tenho uma boa noção do que é certo e errado, feio ou bonito, bom ou mau, falso ou verdadeiro. Trato todo mundo com respeito, consideração e nunca espero reciprocidade. – Só um pouquinho. (Rsrs)

Com tudo isso, muita gente me confunde e tem uma idéia bem diferente daquela que tenho de mim. Não dou importância, mas não posso evitar às vezes de ficar triste. E é assim que vejo aumentar meu círculo de desafeto. E aquele velho chavão de que “... Se até Jesus Cristo não agradou...” - Não me consola e fico triste.

Gosto muito de brincar trocando os adjetivos para elogiar àqueles que quero agradar, acarinhar e todos sabem perfeitamente disto.

Quando a pessoa é linda, digo que é feia, e, por mais “boba” que seja não é doida de não compreender que a estou elogiando. Até porque a beleza é relativa e deve vir da alma, e, quando a elogio assim, me refiro ao seu todo. Quando gosto, digo que não gosto e aí beijo, abraço apertado, seja quem for. Basta que a pessoa de alguma forma me toque a alma.

Quando menina, estudando no Colégio Sagrado Coração, em Caruaru-PE, minha terra natal, lembro a Diretora do Colégio, Madre Regina, ter alertado mamãe sobre isso. Contudo, nada mamãe pode fazer. – Nasci assim!

Também, pendo naturalmente para o lado dos menos favorecidos e não estou nem aí para os do outro lado, os quais por conta disto me olham atravessado (rsrs). Infelizmente, os menos favorecidos, ficam sempre com um pé atrás comigo. – Que lástima! Não acreditam no meu jeito, desconfiam e me “detonam”. – Que confusão, que desencontro e que desencanto!

Fazem de mim uma “Ysoldinha” que até Deus duvida. Sempre foi assim e nunca isso irá mudar. É sina... É carma e por mais que eu faça, não tem jeito.

Por isso me sinto muitas vezes uma “estranha no ninho”.

Mas, Ele, como bom Pai, me deu um presente muito “feio”, mas muito “feio” mesmo, só para me compensar, me fazer amar incondicionalmente: a minha filha Yauanna. - O quê mais posso querer nesta vida?

Quando lhe acordo, sempre com a mesma “bela” musiquinha que diz: acorda bicha feia / é hora de acordar / os passarinhos já estão: / todos a cantar. Lá, lá, lá...

Ela abre um olhinho, depois o outro, bem devagarzinho e me pergunta: mamãe posso dormir mais um pouquinho?


E eu muito firme e cheia de moral respondo: não menina horrível!

Ela sorrir, me dá um beijinho, se deita novamente e continua a dormir. Mas, só um pouquinho.

Ela me desmoraliza totalmente.

**********

Foto: Yauanna ( feia d++ )
Fotógrafa: Eu, claro


Publicado no Recanto das Letras em 02/02/2010
Código do texto: T2064784

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

APENAS XEQUE-MATE


APENAS XEQUE-MATE
De: Ysolda Cabral


Certo,
Protesto!
O nexo é controverso...

Sem jeito é feito.
Desejo acabado,
No ato.

Repúdio confirmado,
Tudo desfeito de fato.

Rotule o mundo!
Sem discurso,
E enlute.

Não mude... Deixa,
Eu mudo!

Euforia em demasia,
Ilude, confunde...
Curo-me!

Sonho acabado...
Cicatriz no abraço...

Como contrato,
Distrato.
E não disfarço!

Pulsação em descompasso,
Pelo beijo que não foi dado,
Apenas xeque- mate.

**********

Publicado no Recanto das Letras em 01/02/2010
Código do texto: T2063352

"FÉRIAS CONJUGAIS"

FÉRIAS CONJUGAIS

Acho que estou umas boas férias merecendo...
Este descanso há tempos estou me prometendo.
Tenho pra mim que preciso mesmo descansar,
Vou para uma pousada com a natureza me encontrar!

De qualquer compromisso esquecer pretendo...
...Nem pense em me telefonar; eu não atendo.
Me esqueça por favor... quero total isolamento.
Ouvir você, nas férias? Juro que eu não agüento!

...Já se passaram vários dias... você não telefona...
Acreditou, de verdade que eu fosse tão durona?
Ligo? Será que a minha ausência ele vai sentir?

Alô, querido? Que saudade – ele nem quis me ouvir...
As malditas “Férias Conjugais”, quem inventou,
Foi uma besta que certamente nunca se casou!

*Mírian Warttusch

**********

CONSELHO DE AMIGA

Você demorou tanto a tirar essas férias,
Que sua inteligente cabeça deu um nó.
Nem aproveitou direito a natureza!
Isso é mesmo muito grave e causa dó.

Concordo que quem inventou férias conjugais,
É uma besta quadrada e digna de ser fuzilada.
Quem já viu uma coisa dessas?!
Quem tira férias conjugais nem devia ser casada.

E ainda, como se não bastasse,
Sentir saudades do distinto?
Um cabra chato e metido a engraçado?!

Minha amiga deixa disso!
Joga esse “sujeito” no lixo,
E trata de arranjar outro marido.

** Ysolda Cabral

**********

* Mirian: paulista, compositora, escritora, produtora, contadora de histórias (todas de autoria dela) ,cronista, poetisa e minha amiga querida.

** Ysolda: pernambucana, doida varrida que se atreve a fazer uma réplica ao soneto de uma grande poetisa confiando na amiga. (rsrs)

**********

Publicado no Recanto das Letras em 31/01/2010
Código do texto: T2061386

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

MEUS POEMAS CAUSAM SENSAÇÃO. OPA! CONFUSÃO




MEUS POEMAS CAUSAM SENSAÇÃO. - OPA! CONFUSÃO
De: Ysolda Cabral



Acho que vou parar de compor aquilo que me atrevo a chamar de poesias quando na realidade, são pensamentos, sentimentos meus que escrevo com certo ritmo, uma vez que muito daquilo que componho termina em canção.

Uso, muitas vezes, sentimentos inspirados em pessoas, das quais faço de conta que conheço. – Ora, se não conheço nem a mim! Bem, com base nesse pequeno pecado ou engano proposital, componho poesias de amor, tristeza, saudade, desilusão, enfim...

Já tive alguns problemas em função disso, como todos os poetas existentes nesse mundo de meu Deus. Entretanto, a coisa vem “pegando” pra valer. E não adianta contestar, pois contra fatos há argumentos?! (Rsrs)

Senão vejamos; tenho uma linda e sonhadora colega de trabalho, casada há pouco tempo, a qual se encontra em plena lua de mel, muito feliz e tudo mais que tem direito e merece. - E que Ele a conserve assim pela vida a fora, é meu desejo sincero e de todo coração.

Só que, como sou minha fã número um, tenho o péssimo hábito de me “amostrar” na tentativa de aumentar o meu fã clube, lendo em voz alta tudo àquilo que escrevo e publico, seja no Recanto das Letras ou no blog “Apenas Ysolda”, para os meus familiares, amigos e colegas de trabalho darem suas opiniões.

Pois bem; dia desses, compus um poeminha e achei bem bonitinho - tão “Amélia”! Lendo para o pessoal do meu trabalho, a minha amiga recém-casada adorou, (ela ama poesia) e, não sei qual a razão, resolveu enviar para o marido, via e-mail.

Resultado: está numa luta danada para convencer o marido de que nada me conta de sua vida íntima e ele não acredita de jeito nenhum.

Eu posso com uma coisa dessas?!

O jeito é aposentar minha pena e me limitar a ler os maravilhosos poetas do Recanto das Letras. E tem outra solução?

Chega de tanta confusão! (Rsrs)

**********
Publicado no Recanto das Letras em 29/01/2010
Código do texto: T2057901
**********