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domingo, 4 de julho de 2010

O PÁSSARO E O SEU CANTO DE NINAR

O PÁSSARO E O SEU CANTO DE NINAR
De: Ysolda Cabral


Ontem fui dormir antes das vinte e duas horas. Coisa realmente surpreendente, pois desde que minha filha nasceu, há dezenove anos, eu não dormia tão cedo.

Resultado; acordei antes das três da manhã sem sono algum e sem vontade de nada. Tentei ler, escrever, assistir um filme, ouvir música... Resolvi voltar pra cama e ficar escutando os sons da madrugada.

Há muito sei que a madrugada tem um perfume característico e muito especial, o qual gosto muito, inclusive, ele sempre me inspirou a compor algumas poesias. Entretanto, como ando pensando em deixar de compor para me dedicar mais a crônicas - pelo menos por um tempo - procurei me desligar de seu cheiro e me ligar nos sons.

Gosto muito dos sons, principalmente o do silêncio. No silêncio você escuta o Vento e todos os segredos que ela queira lhe contar. Adoro os segredos do Vento, mesmo que não os compreenda sempre me acalentam quando preciso de aconchego.

Bom, estava nesse devaneio, esperando o sono voltar, quando escuto um tímido e lindo canto de um pássaro.

Parei de pensar, parei até quase de respirar, agucei bem o ouvido e não consegui identificar o pássaro que cantava para mim na madrugada quase fria e perfumada me fazendo voltar a dormir sem sonho e sem pesadelo.

Hoje irei dormir cedo novamente.
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Publicado no Recanto das Letras em 04/07/2010
Código do texto: T2358250