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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

DO CARNAVAL EU NÃO DESISTO

DO CARNAVAL EU NÃO DESISTO
De: Ysolda Cabral


Para brincar o Carnaval,
Comprei três fantasias.
Agora estou na dúvida se devia...

Uma delas foi de Odalisca.
Quando provei,
Me senti tão ridícula!

A outra foi de Baiana.
De tão redonda,
Me senti uma verdadeira “onda”...

Já a de Colombina,
- Ah! A de Colombina...
Quando vesti eu adorei!
Senti-me uma menina.

Corri para o espelho,
Para ver o que dizia...

Ele impiedoso e sem rodeio,
Me disse pra tirar a máscara
E desistir da fantasia.

**********

Publicado no Recanto das Letras em 28/02/2011
Código do texto: T2820102

domingo, 27 de fevereiro de 2011

CHORONA JARDINEIRA




CHORONA JARDINEIRA
De: Ysolda Cabral



As lágrimas regam a roseira
E matam a sede da terra
Só não matam a saudade
Da chorona jardineira...



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Publicado no Recanto das Letras em 27/02/2011
Código do texto: T2818973

INFINITA SOLIDÃO



INFINITA SOLIDÃO
De: Ysolda Cabral


Essa sou eu...

Sem pretensão
Sem identidade
Sem corpo
Sem rosto
Apenas Alma

Essa sou eu...

Sem passado
Sem futuro
De presente confuso

Essa sou eu...

Sem sorriso
Sem lágrima
Sem decepção

Essa sou eu...

Eu e a minha infinita solidão.


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Imagem inspiração: Google

Publicado no Recanto das Letras em 27/02/2011
Código do texto: T2818899

sábado, 26 de fevereiro de 2011

SÚPLICA DE AMOR


SÚPLICA DE AMOR
De: Ysolda Cabral


Num “rabo de foguete”...
Se queime, se lance,
Me alcance...!

Não sou “agulha no palheiro”...
Me ache, me abrace...
Tome jeito!

Suplico-lhe que atente...
O amor é um presente!

Ainda há tempo!
Aproveite àquilo que a gente sente.
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Publicado no Recanto das Letras em 26/02/2011
Código do texto: T2816970

AUTOCONHECIMENTO E BIQUINI ESQUECIDO NA AREIA

AUTOCONHECIMENTO E BIQUINI ESQUECIDO NA AREIA
De: Ysolda Cabral


Minha “chefe” é realmente uma pessoa bastante interessante. Bonita, Inteligente, perspicaz, generosa e um “tantinho” só desligada das coisas menores, - no que ela faz muito bem, diga-se de passagem -, resolveu se juntar a um grupo de autoconhecimento.

Desses que se estuda e se analisa com a “ajuda” de um terapeuta, mas principalmente com a “orientação” das “Estrelas, do “Buda”, das “cores”, das coisas transcendentais e que nós, pobres mortais, não alcançamos com tanta facilidade.

Grupo dedicado e bastante empenhado, vez ou outra se reúne em lugares onde o contato com a Mãe Natureza é propício para uma boa meditação.

Foi o que ocorreu na noite da última sexta-feira, 18/02/2011, noite de Lua Cheia. (Em maiúscula mesmo por respeito à beleza Divinal).

No final do expediente, correu para casa a fim de verificar se estava tudo em ordem com o jantar dos filhos e do marido, e, aproveitar para tomar um banho, vestir um biquíni, posto que o encontro dar-se-ia a beira-mar.

Tudo pronto, de túnica branca, e, com uma toalha dentro da bolsa, para o caso de querer dar um mergulho; lá se foi minha “chefe” para o “estudo” daquela noite.

Depois de muita meditação, ao som das ondas e com muito mais conhecimento de si mesma, minha “chefe” resolveu entrar no Mar.

Água quente, iluminada e livre do Vento, cuja Lua faz questão de mantê-lo afastado nesses momentos; mergulhou livre, leve e solta.

- Hora de ir embora! Chamou sua amiga.

Mais que depressa saiu da água, pegou a toalha, e, já que estava sozinha; tirou o biquíni, se enxugou, vestiu a túnica, pegou a bolsa e correu para o carro da apressada amiga que a esperava, já com o motor em pleno funcionamento...

Só se deu conta de que havia esquecido o biquíni na areia da praia, quando se viu no “espelho” do olhar de seu marido.

Eu, até então calada, confesso que meio incrédula... Escutava o relato quando ela começou a comer um sanduíche que trouxera de casa, evidentemente preparado por ela.

- O pão estava totalmente queimado e ela nem sentia! Foi quando entendi a compreensão e credulidade do seu marido.

- Agora eu também acreditava! Hahahahahaha


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Publicado no Recanto das Letras em 25/02/2011

Código do texto: T2814272

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ysoldacabral

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

NOSSO NORTE


NOSSO NORTE
De: Ysolda Cabral


O meu amor é um segredo
Só a você revelado
Então por que o medo
De não ser o meu amado?

Veja, pare um pouquinho
Para ler o meu recado
Não pense que está sozinho
Pois estou sempre ao seu lado

E na manhã de qualquer dia
Banhado de “Raios de Sol”
Sinta toda a minha energia
Conduzindo-lhe ao arrebol.

Agora feche os olhos de mansinho
Estou com você bem de pertinho
E com aquele “Trevo da Sorte”
Vou lhe contar o nosso norte.

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Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2011
Código do texto: T2812401

MEU PENAR

MEU PENAR
De: Ysolda Cabral



Aprendendo a viver sem você,
Nada parece interessante.
A saudade difícil de conter,
Me faz sonhar a cada instante.

Se estou acordada ou dormindo,
Pelo amor de Deus... Não pergunte!
Posso estar no sonho mais lindo,
E, nunca mais eu lhe encontre.

Se você assim mesmo perguntar,
Posso até responder sorrindo,
Alegremente e a cantarolar...

Pois cantarolando vou seguindo,
Na estrada florida do destino,
Eternamente triste e a penar.

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Publicado no Recanto das Letras em 24/02/2011
Código do texto: T2812166

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

VEÍCULO PASSA SOBRE O PÉ DA MINHA FILHA



VEÍCULO PASSA SOBRE O PÉ DA MINHA FILHA
De: Ysolda Cabral




O Carnaval ainda está distante, mas por aqui não se fala em outra coisa. Inclusive, no último final de semana muitos blocos desfilaram por ruas e avenidas de alguns bairros do Recife.

Num deles estava minha filha, com um grupo de amigos...

Lá pelas tantas, comecei a sentir um mal estar, uma coisa esquisita e fiquei me segurando para não lhe telefonar. Até que não deu mais e liguei, dizendo-lhe para vir pra casa imediatamente.

De pronto ela me respondeu que já estava a caminho.

Eu estava em cólicas...

Logo que chegou me pareceu bem, apenas um pouco pálida. Atribui seu aspecto a cansaço.

Finalmente me deitei e agradecendo a Deus por ela ter chegado, adormeci.

Hoje, por volta das cinco da manhã, ela me acordou pedindo para lhe levar numa clínica de traumatologia e ortopedia.

- Sabia que tinha acontecido alguma coisa!!!

- Coração de mãe não se engana...

- O que aconteceu?!!! Perguntei, pulando da cama e com o coração na mão.

- Nada não, mamãe! Apenas um carro passou por cima do meu pé e estacionou nele. Agora está doendo um pouquinho. Não dormi a noite toda, acrescentou.

- É mole?!!!!

Espantada olhei para o pequeno pé de minha filha e mais que depressa a levei para a clínica especializada mais próxima.

Lá, depois de radiografado, o ortopedista prescreveu uma medicação, recomendou gelo a cada duas horas, e, observando a sorte que teve de não ter o pé esmagado, a liberou até para brincar o Carnaval.

- Como explicar uma coisa dessas?!!

E tem gente que ainda duvida do coração de mãe e da existência de Deus.

Ao me despedir do médico, lhe censurei por tê-la liberado pro Carnaval e ele morrendo de dar risada, me devolveu: “A senhora não combinou comigo!!!”

- Eu, hein! - É cada doutor tão devagar!!!

Agora eu e Ele teremos trabalho dobrado nos dias que se aproximam.

Ai, ai, ai, ai...


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Abaixo comentário de minha filha, deixado no Recanto das Letras


21/02/2011 18:47 - Yauanna Cabral


Acho que desde pequena sempre foi assim... O que eu sentia mesmo longe, você já previa... Telepatia e o amor de mãe nos une, mesmo estando longe, Nem preciso falar nada que você já sabe o que estou pensando. Não quis lhe preocupar, ainda bem que não houve nada demais, agora, é repousar porque têm mais prévias vindo por aí.. Não se preocupe, mamãe... Eu nem dou trabalho! Hahaha.. Beijos, Amo você!


Publicado no Recanto das Letras em 21/02/2011

Código do texto: T2805768



sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A MELHOR UTILIDADE DO E-MAIL

A MELHOR UTILIDADE DO E-MAIL
De: Ysolda Cabral



Para quem não pode perder tempo com telefonemas, visitas ou MSN - coisa de garoto; de apaixonado; de desocupado; entre outros que nem é bom falar - não tem coisa melhor que o e-mail para mandar e obter notícias dos amigos e dos nossos familiares.

O problema é que o pessoal banaliza esse serviço e congestiona nossas “caixas de entrada” com correntes, mensagens piegas e depressivas, as quais atrapalham a visualização daquilo que realmente interessa. Isso sem falar em vírus, os quais nos são enviados por sádicos idiotas, e, até mesmo, por pessoas, as quais desconhecem o verdadeiro conteúdo oculto da mensagem recebida e a reenvia para seus amigos, com os endereços eletrônicos expostos, por não saberem usar o recurso individual, ou seja; com a cópia oculta, (C/co).

Claro que há mensagens maravilhosas e de utilidade pública, as quais devem realmente ser enviadas e reenviadas. Contudo, a pessoa tem que ter o bom senso para não abusar. Até por que, quando houver necessidade de “presentear” alguém, por ocasião de seu aniversário, por exemplo, ou quando a saudade for grande; você não vai causar tanta surpresa e nem muita alegria como gostaria.

Mas, enfim, o propósito aqui não é criticar ninguém e nem muito menos ensinar alguma coisa relativa ao uso do e-mail, e sim, de registrar a grande descoberta que eu fiz referente à sua melhor utilidade, isso graças a uma de minhas irmãs, a mais querida entre nós - somos quatro irmãs e um irmão.

- A r e n g a r!!! É isso mesmo: arengar!!! (Rsrs)

Pense numa coisa boa!!!! Não há estresse...!!!!

Ela manda de lá, eu mando de cá e sempre com o cuidado de ler, responder e deletar, para não ter que ler de novo e a briga continuar. Isso vale para as duas. Eu, pelo menos, recomendo e faço. Se ela faz, ainda não perguntei. Como no momento estamos em plena “arenga”; depois eu pergunto. (Rsrs)

Brigar cara a cara é terrível! Cada uma que queira falar e ter razão mais que a outra. Aí ninguém escuta ninguém, os ânimos se alteram e a coisa pode pegar pra valer.

Depois da “briga”, da “peleja”, da “arenga”... Aí sim!!!! - É hora de enviar uma linda mensagem, umas flores e as pazes estão garantidas.

Muito bom "arengar" por e-mail, muito bom! - Agora tem uma coisa: tem que saber colocar as vírgulas e não apelar pro verbo... Hahahahaha

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Publicado no Recanto das Letras em 18/02/2011
Código do texto: T2799730

UM LINDO SONHO

UM LINDO SONHO
De: Ysolda Cabral


No aconchego da tarde linda e preguiçosa,
Agradável mesmo em função do frescor artificial,
A cama confortável, convidativa e cheirosa,
Disputa com o computador de forma desleal.

O cansaço é enorme e conspira a favor da cama,
A vontade de compor um poema é tanta,
Que, juntada a saudade de você; vou à lona!
E o primeiro round o computador ganha.

Com os olhos fechando de tanto sono,
O coração de emoção quase parando,
Um poema de amor não mais componho.

De repente um soluço, uma lágrima...
Nem mais um verso... Nem mais uma palavra...
E foi assim que acordei do lindo sonho.

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Publicado no Recanto das Letras em 16/02/2011

Código do texto: T2795937

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CRÔNICA CIFRADA - II

CRÔNICA CIFRADA - II
De: Ysolda Cabral




Pois é!!! Morro de velha e não mudo a minha maneira de ser, de agir e muito menos de pensar.

Se estou certa ou errada, eu sei lá!!! Só sei que não vou mudar nunca. Creio piamente que todo mundo é exatamente assim. Apenas acho que a pessoa pode melhorar ou piorar. Só depende da querência de cada um, ou, das circunstâncias que a vida lhe impuser. Contudo, MUDAR, de jeito nenhum!

Muitos dizem: “você deveria escrever mais crônica”. Já outros dizem: “suas poesias são maravilhosas”. Eu, sinceramente, agradeço, fico feliz e sigo escrevendo, sem achar absolutamente nada.

Quando escrevo não faço escolhas, escrevo o que dita a minha alma e o meu coração em diferenciados momentos de minha vida.

- É poesia? É prosa? É crônica...?! Não sei...

Só sei que quem escreve sou eu, sem nenhuma vaidade ou pretensão, a não ser a de me fazer feliz.

Alguns textos me entristecem, outros me alegram, mas o importante para mim é não desistir daquilo que amo.

E, como complemento do que ora escrevo, abaixo, um texto que qualifico de poesia – a minha poesia - sem métrica, sem rima e sem beleza alguma, mas que me define da maneira mais fiel.


NÃO DESISTO


Pisando na areia molhada,
Recolhendo conchas e estrelas do mar
Sem sonho e sem objetivo
Sigo a caminhar

Assim venço toda tristeza
Que a vida faz questão de dar
E sem pensar em nada
Sigo a caminhar

Sentindo o vento no rosto
O sol aquecendo o meu corpo
Que a água, através dos meus pés, tenta esfriar
Sigo a caminhar

O dia iluminado pára
A bela garça por sobre a minha cabeça passa
E escutando as ondas do mar
Sigo a caminhar

De repente fico alerta
Com todos os sentidos aguçados e definidos
Do peito vem a dor e vem o grito
Sem que eu possa impedir ou parar

Mesmo assim... Sigo a caminhar.

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Publicado no Recanto das Letras em 15/02/2011
Código do texto: T2793424

CRÔNICA CIFRADA

CRÔNICA CIFRADA
De: Ysolda Cabral


Ontem, seis horas, parecia dezoito de tão escuro que estava. Se não estivesse chovendo, teria certeza que os trovões e os relâmpagos haviam acontecido apenas em meus pesadelos.

Abri a janela e vi um dia sombrio. Um canto de pássaro, se quer, ouvia... Sentia-me sem jeito, preocupada e cansada. Pensei em ficar em casa e dormir mais um pouquinho...

Alonguei; me olhei no espelho e de novo não me reconheci. Sorri um sorriso amarelo, e orei com vontade de pedir a Ele para amenizar o tempo... Mas, para quê?!

Sem querer saber mais de notícias, não olhei pro PC e fui direto pra cozinha. Logo estava saindo de casa, para mais um longo e cansativo dia de trabalho.

Trânsito engarrafado, buzinas perturbando o pensamento e atrapalhando a música que eu escutava, então pensei: devia ter mesmo ficado em casa.

Mas logo uma paz infinita tomou conta de mim e nada mais senti...

Nem alegria, nem tristeza e nem saudade.

Olhei para o mar... Estava igual a mim; tão sereno e tão pálido!

O semáforo abriu, o trânsito andou...

Hoje é outro dia, ele está lindo e por ele dou Graças!

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Publicado no Recanto das Letras em 15/02/2011
Código do texto: T2793124

SOB RAIOS DE SOL


SOB RAIOS DE SOL
De: Ysolda Cabral



Depois que a chuva parou...

A alegria voltou e tudo se tornou mais intenso e mais bonito.

As plantas ficaram mais verdinhas a espera das borboletas e Joaninhas.

Depois que a chuva parou...

O trânsito que estava parado andou, a carburação foi diluída pelo vento,
e a poluição sonora amenizou.

Depois que a chuva parou...

Meu coração que estava triste e com “Tum, Tum” atrapalhado, se aquietou.

Depois que a chuva parou...

O Céu, o Mar e a Terra se “vestiram” de cores vivas para colorir o Dia, o qual surgiu entre belos Raios de Sol...

Lembrei de você e o meu sorriso voltou.

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Publicado no Recanto das Letras em 14/02/2011
Código do texto: T2791297

domingo, 13 de fevereiro de 2011

MORTE ANUNCIADA

MORTE ANUNCIADA
DE: Ysolda Cabral


A música acalenta e acalma.

O Mar alimenta, ajusta,
Cura o corpo e a alma.

Há uma expectativa de notícias,
A espera é angustiada.

No momento,
A música é a chuva.

O perfume,
É o da terra molhada.

O presságio é de morte,
Nos morros que estão sob água.

E que Deus nos acuda,
Chega de morte anunciada.

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Publicado no Recanto das Letras em 14/02/2011
Código do texto: T2790640

SEXTO SENTIDO

SEXTO SENTIDO
De: Ysolda Cabral


Calmaria assim...
Desconfie do fim!
Melhor é redobrar o cuidado,
Prestando atenção ao recado...

Todos os instintos devem ser intimados
A ficarem a postos e em alerta máximo.
Contudo, pense que nada vai lhe acontecer,
Tenha convicção e acredite em você.

Sei que não custa ser precavido,
E, mesmo sendo consciente de seu potencial,
Convém não subestimar a força do inimigo.

Renovando sua fé no Altíssimo,
Você não temerá o desconhecido,
Assim, logo ele será definitivamente banido.

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Publicado no Recanto das Letras em 10/02/2011
Código do texto: T2784074

A VIZINHA DO LADO



A VIZINHA DO LADO
De: Ysolda Cabral



A falta de objetividade na maioria das pessoas quando fala, até mesmo quando escreve, me agonia e me estressa.

- Não suporto gente prolixa!

Quando encontro alguém assim, se não conseguir fugir no tempo hábil, me refugio no meu “mundo labirinto”, e ao sair pela “porta poesia”, me sinto leve e fresca como um dia de primavera. Então vou embora sem ter escutado uma só palavra.

Entretanto, com Ana Lúcia, minha vizinha, eu não conseguia usar esse recurso, pois à medida que ela ia falando, ficava pegando em mim, me puxando, me sacudindo, pedindo minha opinião... Uma verdadeira agonia!!!

Quando a encontrava na saída pro trabalho, nem por isso... Mas, quando era na volta, sentia até vontade de chorar.

Certa ocasião, depois de um dia de trabalho emperrado (quando nada dá certo) e de enfrentar um engarrafamento dos diabos, num calor infernal, uma fome terrível e com o “xixi” na porta; chego à garagem do meu prédio e corro para o elevador. Aciono o botão de chamada várias vezes. Finalmente o “dito cujo” chega e a porta abre...

- Quem sai dali?!! A Ana Lúcia!!!

E aí; blá, blá, blá, blá, blá, blá... A porta do elevador se fecha e eu fico a mercê dela. Comecei a chorar sem nem perceber. Só me dei conta que estava chorando quando ela me abraçou para me confortar. Ocasião em que, atendeu ao seu celular e falou para o filho que não a esperasse para o jantar, pois não poderia me deixar sozinha naquele estado.

Apesar dos meus protestos, não houve jeito. Ela cancelou o encontro com o filho e subiu comigo para o meu apartamento.

Mal chegamos, corri para o banheiro e só saí de lá refeita.

Com cautela, respirando fundo, fui à procura da minha amiga. Ela tinha ido embora...

Na cozinha, encontrei uma bandeja com um delicioso lanche, preparado por ela e um bilhetinho que dizia: “Se precisar de mim, é só me chamar.”

A partir de então, sempre reservo um tempinho para ouvir, principalmente, quem não tem muito com quem conversar.

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Publicado no Recanto das Letras em 10/02/2011

Código do texto: T2783905

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

QUEM PRECISA DE ORAÇÃO?

QUEM PRECISA DE ORAÇÃO?
De: Ysolda Cabral





Acho pouco provável que uma pessoa por mais que tenha fé, em determinados momentos não se sinta só e abandonada. A sensação é tão forte que “desmonta” a gente e nos faz ficar sem rumo.

A sensibilidade de cada um é que dita a intensidade e a duração desses momentos. Quando passam deixam marcas na alma, no corpo e na mente. Marcas essas que o tempo não apaga. E, quando tornam a acontecer é sempre pior que a vez anterior.

E assim vamos vivendo... Dias bons, dias ruins, dias mais ou menos...

A verdade é que ando meio triste e desencantada. Culpa da minha sensibilidade cada vez mais aguçada, em função do “disparate” que sou entre os meus iguais.

Gostaria até de ter mais tempo para me conhecer melhor; descobrir quem sou; analisar os meus "por quês"... Contudo, quando consigo um tempinho para essa finalidade, desperdiço não fazendo absolutamente nada.

A sensação de derrota relativa aos entes queridos, os quais já “partiram”, também incomoda e a saudade faz nossa vida descolorir. E, se formos nos ater naquilo que deixamos de desfrutar uns dos outros, aí a coisa pega pra valer...

Quantos abraços deixamos de dar e receber; quantos “eu amo você” calamos, ou, não demos a devida importância?!

Ah! Nem é bom falar...

Entretanto, no que tange a esse aspecto, é tarde para nos redimir, pelo menos enquanto estivermos por aqui.

- E nem rezar por eles adianta mais... Pois, segundo meu pai, - um dedicado estudioso da Bíblia - em nenhum lugar do respectivo livro sagrado, há alusão, ou registro, quanto à necessidade de oração por parte daqueles que já se foram. E se há; ele ainda não encontrou.

Já os daqui...

Eu então... Cruzes!!!!


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Publicado no Recanto das Letras em 08/02/2011

Código do texto: T2779725

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O APAGÃO DO NORDESTE

APAGÃO NO NORDESTE
De: Ysolda Cabral



O apagão uniu ainda mais o povo nordestino,
O qual aproveitou a noite de escuridão,
Para em comunhão,
Contemplar as coisas do Divino...

O Céu...?!
O Céu estava lindo!
Repleto de Estrelas.

Estrelas que brilhavam
Sobre nossas cabeças,
Independente do “estado”,
Em que nos encontrávamos;
Apaixonados, ou mais não.

Algumas pareciam querer dar um recado.
Não lê-los me pareceu à coisa certa.
Poderiam quebrar o encantamento,
De uma noite rara,
E, incrivelmente bela.

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Publicado no Recanto das Letras em 04/02/2011
Código do texto: T2772155

O VENDEDOR AMBULANTE

O VENDEDOR AMBULANTE
De: Ysolda Cabral


Laranja cravo,
Jambo, manga,
E melancia...

Laranja Bahia,
Também tinha...

Uva verde, maçã e pêra,
Abacaxi e “siriguela”.
- Nem lembro mais o sabor dela -

Macaxeira, pronta para a panela,
E o feijão verde já bem debulhadinho
Davam o realce entre as frutas,
Frescas e belas expostas no carrinho...

Entregues na portaria,
Do prédio da “madame”,
Com muita alegria,
Pelo vendedor ambulante.

Ela ao efetuar o pagamento,
Pleiteou-lhe um desconto,
Um desconto descabido,

E ao meu ver desumano.

Ele prontamente concedeu,
- abrindo mão do seu ganho -
E lhe pediu um copo d’agua...

E aí o inusitado aconteceu:

Ela lhe disse pra pedir em outro canto,
Pois ali não se dava água nem a santo...


Fiquei a me perguntar :

Será que ouvi direito?!

Fui embora sem acreditar,

Com o coração contrafeito.


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Publicado no Recanto das Letras em 03/02/2011

Código do texto: T2769941

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PALHAÇO SEM REFLEXÃO


PALHAÇO SEM REFLEXÃO
De: Ysolda Cabral


Sou especial?
Não sou não!

Sou especialista em covardia
Sou especialista em hipocrisia
Sou especialista em disfarce
Fingindo alegria e disposição

Sou reles zero a esquerda
Sou elo partido e perdido
Sou sem teto e sem chão

Sou cambalhota de ilusão
Sem cordão, sem paixão
Transbordante de burrice
Desengano e rejeição

Sou somente esquisitice
Uma coisa qualquer de chatice
Sem explicação e sem perdão
Que não precisa de identificação

Pois um ser não identificado
Um reles coisa qualquer
Perdido no meio do nada
Também não precisa de nada não

Sou especial?!
Não sou não!

Talvez uma espécie de palhaço
Repleto de esperança
Por não fazer reflexão...

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Publicado no Recanto das Letras em 01/02/2011
Código do texto: T2765670

QUANDO EU QUERO MORRER?!



QUANDO EU QUERO MORRER?!
De: Ysolda Cabral




Hoje, não sei por que cargas d’agua, a conversa no intervalo do almoço, versou sobre a morte. Fiquei a escutar sem emitir opinião até que, uma colega mais curiosa, me perguntou quando eu gostaria de morrer.

- Isso é pergunta que se faça?!!!

Caí na risada e lhe respondi sem titubear que, a qualquer momento.

Meu Deus do Céu...! Todo mundo parou de falar e olhou para mim como se eu fosse uma completa anormal.

Mas o fato é que, sempre encarei a morte como uma coisa natural. A única coisa que me preocupa é fazer essa “viagem” muito velha ou muito doente.

Então, para que a minha colega entenda melhor a minha resposta, abaixo, transcrevo uma poesia que compus certa ocasião que diz assim:



ENGRAÇADA PIADA


Se eu morresse amanhã,
Até seria bem apropriado.
Partiria para uma viagem,
Ainda em relativa forma e sã.

É que me preocupo em “lá” chegar
E não ter condições mentais e físicas,
De explorar a desconhecida
E misteriosa etapa.

Não sei por que cargas d’água,
Tantos jovens já partiram
E tantos, mais ou menos,
Ainda não...

Que mistério é esse,
O qual não se consegue explicar,
Só temer e o desfecho esperar?

Sair velho desta e doente
Vai fazer o quê por lá?
Morrer, já não vai mais poder!!

Só voltando...

E sem as sábias experiências adquiridas
Qual o sentido de voltar?

A vida é mesmo engraçada!
Melhor a imaginar uma linda
E engraçada piada
Para não sofrer e surtar


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Publicado no Recanto das Letras em 31/01/2011
Código do texto: T2763497