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terça-feira, 19 de abril de 2011

"O RESGATE"



“O RESGATE”
De: Ysolda Cabral







Choveu a noite toda e Recife amanheceu um caos completo. Ruas e avenidas alagadas, árvores caídas, semáforos sem funcionar... Um verdadeiro inferno!

- Até o Mar se refugiou no Céu! (Rsrs)

Minha filha, a qual não ia à faculdade há uma semana, resolveu ir justamente hoje.

Fiquei meio reticente em permitir, pois apesar dela dirigir há dois anos; um trânsito como o de hoje é complicado para qualquer motorista por mais experiente que ele seja. Entretanto, como ela foi minha aluna, pois ninguém aprende a guiar em auto-escola, permiti.

Pois muito bem... Cá estou em pleno expediente quando o meu celular toca. Atendo. Do outro lado da linha, o meu ex-marido, estressadíssimo e aos gritos, me avisa (leia-se: me acusa) que nossa filha se encontra presa no trânsito e em local ignorado.

Ele sempre foi assim... Quando alguma coisa acontece com ela, ele fica tão apavorado que perde totalmente o raciocínio, a calma e eu que “segure” as “pontas”. (Rsrs)

Logo em seguida liguei para ela e fiquei sabendo da grande “catástrofe”...

A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), devido às fortes chuvas, havia interditado o acesso ao nosso bairro, determinando o retorno de todos os veículos por outras vias.

Foi aí que se deu a desgraça... Ela retornou por uma via nunca transitada por ela antes e se perdeu. Disse-me ter ligado para o pai, com o objetivo de lhe pedir orientação de como sair dali uma vez que, “desconfiava” estar mais ou menos próximo da empresa que ele trabalhara.

Depois de escutá-la, calmamente, lhe disse para permanecer onde estava, pois eu iria até ela.

Pela janela vi que a chuva continuava “castigando” a cidade. Pensei: como vou chegar rapidamente onde acho que ela está?



- Só de moto! Pensei em voz alta e sai correndo da sala a procura de Anderson, meu colega de trabalho – aquele que tem leve deficiência auditiva e que vive tocaiando os gatos, para não deixá-los comer os passarinhos, os quais dormem nas árvores do quintal de sua casa - aquele que é quase um filho para mim de tanto que lhe quero bem... E, afinal, numa situação assim, pra que serve um filho e motociclista de primeira...?!



Expliquei-lhe o que estava acontecendo,contudo ele só entendeu que deveria me levar, em sua moto, para algum lugar e bem depressa. Observando a roupa que eu vestia (calça jeans, blusa de mangas compridas, de malha leve, e botas), constatou que eu precisava de um blusão apropriado – para que eu não me molhasse tanto - e um capacete.

O segurança da empresa, gentilmente, me cedeu os respectivos acessórios e lá fomos nós fazer o “resgate”.

- Que aventura!!!!

Andar de moto entre veículos, num dia de chuva, com tudo alagado, e em caráter de “socorro”, não é nada fácil. O motociclista tem que ser muito competente, paciente e hábil. Anderson é tudo isso e muito mais.

Consciente da responsabilidade, literalmente grudada em suas costas, aparentemente calma, sem saber ao certo a direção que deveria seguir e sem quase escutar o que eu falava, seguiu em frente para o que desse e viesse.

E assim o “resgate” foi realizado com muita segurança e sucesso.

Valeu!!! Filho do coração.

Muito obrigada, “visse” bichinho?! Amo tu.




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Publicado no Recanto das Letras em 19/04/2011




Código do texto: T2918687