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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DESMORALIZADA NUMA BOA


DESMORALIZADA NUMA BOA
De: Ysolda Cabral



Considero-me uma pessoa de relativo bom gosto. Educada e muito bem humorada. Tenho uma boa noção do que é certo e errado, feio ou bonito, bom ou mau, falso ou verdadeiro. Trato todo mundo com respeito, consideração e nunca espero reciprocidade. – Só um pouquinho. (Rsrs)

Com tudo isso, muita gente me confunde e tem uma idéia bem diferente daquela que tenho de mim. Não dou importância, mas não posso evitar às vezes de ficar triste. E é assim que vejo aumentar meu círculo de desafeto. E aquele velho chavão de que “... Se até Jesus Cristo não agradou...” - Não me consola e fico triste.

Gosto muito de brincar trocando os adjetivos para elogiar àqueles que quero agradar, acarinhar e todos sabem perfeitamente disto.

Quando a pessoa é linda, digo que é feia, e, por mais “boba” que seja não é doida de não compreender que a estou elogiando. Até porque a beleza é relativa e deve vir da alma, e, quando a elogio assim, me refiro ao seu todo. Quando gosto, digo que não gosto e aí beijo, abraço apertado, seja quem for. Basta que a pessoa de alguma forma me toque a alma.

Quando menina, estudando no Colégio Sagrado Coração, em Caruaru-PE, minha terra natal, lembro a Diretora do Colégio, Madre Regina, ter alertado mamãe sobre isso. Contudo, nada mamãe pode fazer. – Nasci assim!

Também, pendo naturalmente para o lado dos menos favorecidos e não estou nem aí para os do outro lado, os quais por conta disto me olham atravessado (rsrs). Infelizmente, os menos favorecidos, ficam sempre com um pé atrás comigo. – Que lástima! Não acreditam no meu jeito, desconfiam e me “detonam”. – Que confusão, que desencontro e que desencanto!

Fazem de mim uma “Ysoldinha” que até Deus duvida. Sempre foi assim e nunca isso irá mudar. É sina... É carma e por mais que eu faça, não tem jeito.

Por isso me sinto muitas vezes uma “estranha no ninho”.

Mas, Ele, como bom Pai, me deu um presente muito “feio”, mas muito “feio” mesmo, só para me compensar, me fazer amar incondicionalmente: a minha filha Yauanna. - O quê mais posso querer nesta vida?

Quando lhe acordo, sempre com a mesma “bela” musiquinha que diz: acorda bicha feia / é hora de acordar / os passarinhos já estão: / todos a cantar. Lá, lá, lá...

Ela abre um olhinho, depois o outro, bem devagarzinho e me pergunta: mamãe posso dormir mais um pouquinho?


E eu muito firme e cheia de moral respondo: não menina horrível!

Ela sorrir, me dá um beijinho, se deita novamente e continua a dormir. Mas, só um pouquinho.

Ela me desmoraliza totalmente.

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Foto: Yauanna ( feia d++ )
Fotógrafa: Eu, claro


Publicado no Recanto das Letras em 02/02/2010
Código do texto: T2064784