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domingo, 14 de fevereiro de 2010

O AMOR PAIRA NO AR



O AMOR PAIRA NO AR
De: Ysolda Cabral



Caminho no calçadão de Boa Vagem. É domingo de carnaval e as pessoas me parecem tristes e desamparadas. Por mim passam homens e mulheres de todas as idades. Crianças e cachorrinhos de raça e até vira-lata. Todos me parecem iguais e abandonados. Não há alegria, apesar da época. No acostamento um veículo pára. O som está ligado. É Alceu que canta um frevo lindo e animado.

De repente percebo que a alegria contagia de tal forma que a inércia desaparece e todos dão sinal de vida. O garotinho, de uns três anos, começa a pular. Uma senhora, bastante idosa começa a cantar: “Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelos braços...” O casal se abraça e o amor paira no ar. – Que coisa mais bonita!

O mundo triste sumiu como num passe de mágica. Perplexa percebo o meu cansaço e, não tendo coragem de sentar para não estragar a alegria que ali se instalava, fiz o caminho de volta pra casa.

Ultimamente ando mais sensível que o normal e com um vazio enorme no peito. - Será que estou com a doença do século, ou apenas ficando uma velhinha qualquer?!

- Que legal!!!! Ainda bem. Pensava ser algo pior.

Acho que vou me arrumar, colocar uma flor no cabelo e vou pro Recife Antigo.

Quem sabe não toquem por lá a marchinha do Nelson Ferreira “Evocação nº 01”?




Publicado no Recanto das Letras em 14/02/2010
Código do texto: T2087419