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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

MEUS FANTÁSMAS

MEUS FANTÁSMAS
De: Ysolda Cabral

Sou péssima observadora, porém quando me proponho a observar, observo e bem direitinho. Contudo, para que isso aconteça, é preciso que alguém me peça, ou algo novo me leve à observação.

No trabalho vem me ocorrendo um fato interessante...

Quando me concentro para realizar alguma tarefa mais urgente, um ruído me perturba e me leva ao tempo de criança quando; no sítio do meu avô, meu tio nos assustava com histórias de assombração.

Eram sempre as mesmas histórias. A maneira de contar é que mudava à medida que a gente não ia tendo mais medo. Em função disso, ele apelava para a “ajuda” dos seus “amigos” fantasmas, os quais, a partir da meia noite, quando todos já estavam deitados, vinham nos amedrontar.

No sítio não havia energia elétrica, e, quando íamos dormir vovô não permitia que ficasse nenhum candeeiro aceso ou lampião. O objetivo era prevenir acidentes enquanto dormíssemos.

Eu e a minha irmã fazíamos as orações, nossa tia nos cobria e ali ficávamos a espera do sono chegar olhando o teto de belas telhas, as quais não impediam a entrada da claridade da lua e nem do pingo d’agua, em noites de chuva forte.

Quando já estávamos quase conciliando o sono, os “fantasmas” chegavam. Enormes e assustadoramente brancos. Batiam portas e janelas, gemiam, assoviavam... Porém o que nos deixava mais aterrorizadas e nos levava a correr para cama de nossa tia Maria José, era o lento arrastar de seus pés no corredor; para lá e para cá.

O medo era tanto que tratávamos logo de dormir para fugir dos “amigos” do meu tio, os quais atendiam pelos nomes de lençol branco e chinelos do meu avô.

No trabalho, com certeza, os chinelos do meu avô e nem os lençóis estariam. Muito menos meu tio.

Obriguei-me, a ficar atenta e observar todos os colegas e seus movimentos, visando descobrir de onde vinha àquele arrastar de pés, tão meu conhecido.

Era Victor (20 anos), o lindo e sarado estagiário de nossa divisão, o qual de tanto estudar e malhar, anda arrastando os pés de tão cansado.

Nossa, que alívio! (Rsrs)


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Publicado no Recanto das Letras em 13/01/2011


Código do texto: T2727626


http://recantodasletras.uol.com.br/autores/ysoldacabral


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