Google+ Followers

segunda-feira, 30 de abril de 2012

CONSTITUIÇÃO FEDERAL - UM CONTO DE FADAS



CONSTITUIÇÃO FEDERAL – UM CONTO DE FADAS
De: Ysolda Cabral
  

A pobreza se alastra como chaga, como peste...  Sem remédio e sem solução vai se ajeitando da maneira que consegue. Entregue a própria sorte e bem na cara das autoridades que passam para lá e para cá, fingindo não ver. Fingindo sim! Não há como não ver ou sentir, pois a pobreza da qual falo é muito feia e fedida. 

Há mais de dois meses que ''mora'' na ponte de uma das avenidas mais movimentadas do Recife – Av. Agamenon Magalhães (bem em frente a uma agência da Caixa Econômica Federal) uma família, composta de um jovem casal, uma senhora – não sei se mãe ou sogra – um casal de vira-latas e um gatinho branco.

O sustento da família vem da venda dos filhotes do casal de vira-latas; dos trocados que, arrecadam limpando os pára-brisas dos veículos quando o semáforo fecha; e, de uma ou outra moeda que lhes dão.

Quando lá chegaram suas aparências era de gente pobre, porém limpa. Agora, não sabemos quem fede mais; se eles, os animais ou o canal, a céu aberto, ali existente. – Outra vergonha para o recifense.

Não são marginais e nem analfabetos. São educados, até mais que muita gente boa que conheço e, quando estão com muita fome, pedem. No entanto, o constrangimento é visível.

Fico a me perguntar como uma coisa assim pode acontecer com pessoas de bem.

Lembro certa ocasião em sala de aula, o professor de ''Ética Profissional e Instituições Judiciárias'', Fernando Valença (um dos melhores professores que já tive no Curso de Direito inacabado que fiz) ter nos mostrado um filme de um pai, o qual morava debaixo da ponte, colocando os filhos para dormirem no chão, sobre trapos imundos. Depois de rezarem, um dos garotos pedia para o pai ler uma história de conto de fadas.

Ele abria um livro, cujo título ficava nítido na tela. Nela estava escrito: ''CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL''.

- O que vejo sobre a ponte nem é filme...  É vida real.



Publicado no Recanto das Letras  em 26/04/2012
Código do texto: T3634414